porta quebrada

Esta página não tem intenção de ser reconhecida pelos "outros", mas serve de alívio para o que nela tenta escrever, rabiscando sentidos e percepções. Fadada ao caos do tempo alienado dos compromissos, aqui a mão e o cérebro se faz silêncio e palavra que perfura até o chão da rotina, ou seja, aquilo que deveria ser e não é mais. Por isso, neste espaço não existe porta, pois está quebrada, arrebentada pela liberdade do interesse.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

HETERONOMIA


Você me surpreende em mim
aleijado com clarim
perfuma aridez e umidade
sem fadiga idade
amacia a dureza
dignidade de realeza
colore o desenho
cenário risonho
Artista sem tinta e som
do silêncio o tom
pastora do outro
da florestra és troco
Na voz do eu
minha anima te leu
declamou o nós
multidão e sós
pessoas em conjugação
palavra e ação
Amor é amizade de tarados
Soleira de confortos
eira e beira
Mulher e mineira
pele e coiceira
tubo de respiração
orgão do coração
roda gigante
algodão doce da mente
Lua plantada ao meio-dia
centro da periferia
Candenlário de inverno
àspero e terno
Água de verão
mudez e sermão
Manhã de minhas noites
Idiotices em odes

No altar de uma cama
filhos uma trama
Dedos de prosa
o prazer goza
Confusão de medos
labirinto de nervos
Brigas e contas
céu sem cotas
na estante filmes polidos
Romances e documentários
No armário roupas cheirosas
estendemos tardes gulosas
no varal toalha molhada
poesia é saudade penteada
Somos ersonagens sem script
tratado e relise
na lápide do passado acenos 
escada pra acerto temos

Na raiz do ontem o conserto
longe e perto
na construção suor
saliva e odor
na imaginação tudo
pé esquerdo sortudo
na mesa invenção
diálogo de redenção
Um dia, uma palavra
juventude nossa catedra
cada gota de telefone
projeto e codinome
miúdos toques
desejo em lotes 
Amor não é paixão
Emoção sim de uma razão
Se faz no calar de um falar
soprar e abraçar
machucado com remédios
olhos e cílios
reconhecer do outro
nem prata dem ouro

O que se detesta e se chama
há sempre um tema
cozinha e sofá
a esperañça é sempre um lá
A distância é caminho
não é separação, mas destino
O remédio é o confiar
destino é imaginar
amanhã é resumo do agora  
o depois afora
Juiza e ladrona
És Poltrona

Pobre segurança


Uma dolce poesia em imagem para a inteligente e sensível polícia do Rio de Janeiro, em especial, ao BOPE! (e que sirva como chapéu para todo tipo de segurança de Estado!!!)

Sem controle



Nossas crianças já nascem gente de outros
Quem daria alma àquilo que não nasceu?
Ser pessimista ou sonhador das frustrações?
Quem dará um antídoto a esta situação?
Não quero controle, quero invasão
Não serei marionete, mas urubu
No gelo serei fogo
Na sombra, sol
Na lágrima, riso
Tudo serei
Menos outro

Ah! se os desenhos fossem reais II


Nas páginas coloridas e nos enredos perdidos da elocubração de um gênio da imaginação. Ele revela no poder da expressão de fazer acreditar que, tudo é cômico, gracioso, como criança em noite de festa, mas na realidade, portanto, todo ser pintado, é um feio sem graça. A imaginação aliena imagem sem tempo e sentimento vulneráveis e instáveis. Desmistificar, é colocar as coisas no seu devido lugar, é dar valor a decadência, simplicidade, banalidade e esquisitice recheio da existência. A vida é trivial, mas magnífica pela generosidade do existir. Isto basta! Nem mais e nem menos, apenas o essencial.

Ah! se os desenhos fossem reais I


Nem espinafre refaz espírito e células! Será uma profanação, ou descrição da máxima decência da existência??? Rááá.

Relógio da vida


Este simples ciclo de um fazer a outro, nos limita e delimita numa brincadeira inconsciente, por isso, ditadora e assassina. Neste movimento natural cada segundo é o resultado de menos uma célula de possibilidade. Pare o relógio e saia do ciclo donde estás. A vida acontece na florestra do absurdo, montanha do ócio e na vagabundagem do ser. Relógio são para torres e catedrais. Nós precisamos é de pulso e de magia estranha, subversiva e transgressora, acordada como um aninal sem agenda.

Morreram, e daí?!


Às vezes é necessário fazer uma lógica contrária, ou melhor, inversa ao bom senso. Eis a notícia: "2 policiais são mortos no Rio de Janeiro por traficantes!" Nossa, que absurdo isto. Absurdo? Qual é o ponto de vista de onde parte esta exclamação? Qual ângulo desta história que miramos, focamos e nos escandalizamos? Será sobre o fato da morte nela mesma, ou seja, por 'alguém' ter morrido? Ou será a aparência do instrumento e a causa desta morte? Isto nos causa que tipo de sentimento: medo, insegurança ou pena? Ou um estado solene, bem elaborado e crítico de repugnância por este fenômeno? Ou será apenas uma consideração e comentário social do fato? Rio e o Rio ri de mim. Eu do meu sofá, num dia "normal" qualquer, fiquei intrigado, solitariamente, com um detalhe, que pra mim é essencial no desfeche e conclusão do ocorrido, deste quadro que se repete milhares e múltiplas vezes em nossa obra sociedade. A questão é simples: "Violência gera violência!", será isto um modismo simplista de idealistas?! Ou uma lógica esquecida na interpretação dos fatos vomitados pela realidade cansada, estrupada e cheia, transbordando de convulsões e contradições de fenômenos conflitantes? Pois assim como o estômago lança para fora aquilo que criou confusão no seu campo, assim é a violência para o cenário social, uma reação natural e necessária. O que se evita se explode. ISto tanto no limiar da psicologia subjetiva como na social. Não quero criar polêmica, mas justiça com o pensamento, por isso, afirmo publicamente aqui: Eu legitimo a morte destes policiais. Escândalo? Vulgarização? Partidarismo marginalizado? Descriminalização? Ridicularização? Não. Pois nós sempre legitimamos a existência de armas, como estratégia de força e enfrentamento de situações que a nossa epidérmica inteligência não sabe ler, lidar e concluir... Legitimamos aquilo que condenamos tautologicamente sem razão. A polícia é a força do Estado, e os traficantes/ "bandidos" (como são chamados) são meramente a força da milícia, uma outra forma de governar. Tudo que se agrupa tem um poder, não pela quantidade, mas pela idéia movedora que é criada como cola e comida para um coletivo. Agrupar-se é militar-se, é impor-se a inconsciência do circo da história. Porém, nestes dois exemplos, do Estado e dos Crimonosos, ambos estão baseados na liberdade de associação, os problemas gerados não estão neles em si, mas são só instrumentos, meios anexos  e ofertados pela nossa justificativa natural para o armamento. Armar-se é preciso, o contrário seria uma falácia. Eis uma afirmação impossibilitada de não-existir. Quando firmamos esta prerrogativa, anulamos outras possibilidades, pois resumimos tudo num objeto-gesto. A arma é sinônimo de morte, não existe outro princípio. Ué, mas não falamos de segurança, proteção do bem para a sociedade? Eis a contradição, é como se estivéssemos falando de cura e ao mesmo tempo implantando tumores no corpo enfermo. Não sabemos lidar com a possibilidade do diálogo e de estratégias capazes de construir mudanças processuais, históricas e habituais, em que o tempo é parceiro e companheiro desta iniciativa. Hoje temos uma grande massa despolitizada e irracional, movida pela lógica do caminho mais curto, porém, nestes caminhos sugestionados pela massa, e manuseada por uma minoria que lucra, os pés são amputados tanto de quem compra, de quem vende, de quem usa e de que se avizinha desta situação. Um verdadeiro símbolo disso são os terrenos minados até hoje da Angola e outros países. Uma verdadeira anomalia a terra enxertada pela ignorância artificial do ser humano. Aquela que é mãe de todos, serve de tapete para mortes e amputações. Do pó nascestes e de uma mina te matarei! O ser humano é o único que sufioca e invade a identidade dos outros. Conquistar é o seu sentido maior, que está acima da vida e da morte, por que é meio em si mesmo, por isso, patológico e alienado. Porém existirá um ser humano capaz de transcender a fatalidade da violência bélica que assola os quatro cantos e o centro do planeta terra? A mesma arma que constrói a histór,ia de sangue em muitas regiões da África, é a que está nas nossas centrais públicas e legitimadas de "segurança" em Resende ou em São José dos Campos. Enquanto existir este processo de naturalização e criminalização não dos meios e instrumentos, mas sim, das pessoas, eu assisto e assistirei a este jogo de barbárie, não chorando ou vigiando por ninguém, mas como expectador de um jogo, fico na ânsia de que alguém desista de jogar. Esta é minha inversa razão aos fatos que consomem os comentários pulpitados na sociedade, sempre televisiva e espetacular. Nossas opiniões são virtuais, a realidade é outra coisa, às vezes mais complexas, porque tem um toque de simplicidade e nada de sensacionalismo. O sensasionalismo é fabricado pela magia das palvras e imagens nelas mesmas, é uma criação imaginativa, não investigativa e reflexiva. Na realidade, para a morte, não existe nome, codinome, cargo ou função, polícia e rebelde, fazem parte de um mesmo homicídio e tragédia. Ambos vítimas de sua prórpia capacidade de acreditar num elemento cultural e alienador. Quem mata e quem morre? A morte iguala a todos na tragédia com base intrínseca a um terceiro elemento causador: a ARMA. Os policiais morreram, e daí? A mesma mão que mata, mata-se.

sábado, 17 de outubro de 2009

CASA



A casa é onde nós estamos. Rua,  Abrigo,  Mansão,  Casebre? Não é um lugar, mas um modo de estar. É um estado de relação invisível ou visível, depende de quem vê!

Morre-SE



"Guardemo-nos de dizer que a morte se opõe à vida. O que está vivo é apenas uma variedade daquilo que está morto, e uma variedade bastante rara". (Nietzche. Gaia Ciência. livro III. 109)
Duas coisas estranhas, feitas sempre em palavras e sermões na boca dos reféns de si mesmos: Amor e Morte. Duas verdades, mentidas pelo acreditar. Certa vez interroguei-me e deixei-me em questão...qual será a matemática da morte? Como pintá-la longe das certezas e códigos já descobertos e repetidos inúmeras vezes nas escolas, praças, igrejas, livros e bilhetes de suicídas? Nesta interrogação que foi emergida num cemitério sem cruz e nem velas, mergulhado no interior de um estado do sul, apenas com pedras e gramas, como um cenário inca. Vi a minha frente, celebrado por um tapete verde de grama bem cortada, uma azaléia, toda florida, cheia de cores e contornos, e ao seu pé um solene, e ao mesmo tempo anônimo, velório de pétalas defuntas. Imagem hermenêutica, uma mistura de vida e morte, ambas pintadas dentro da mesma moldura. Diversos ângulos e detalhes de um mar de olhares, registraram uma história a ser contada e, com toda modéstia, aqui publicada.  Imagem evidente: Galhos revestidos de folhas, no auge de seu verde, e flores brincando de vida num balé revestido de vento. Porém, uma segunda característica captada desta planta, como fenômeno profético, relembrando a sarsa ardente dos antigos escritos, porém, sem exagero de uma imaginação ufanista, revelava expelicitamente folhas e flores murchas, enrrugando-se na fraqueza de uma virilidade minguante. No entanto, escrever mais um detalhe se faz necessário, outras flores e folhas caíam espontaneamente, sem voz e emoção, murchas, acabadas e escuras, na terra, ventre arquétipo da solidariedade infindável da existência... Com este olhar anatômico, como criança em noite de lua-cheia, infiltrei-me na atenção e recordei-me que este processo, enxergado neste instante de pensamento e percepção, é contínuo, natural pela espontânea e livre lógica do existir. A eloquência desta planta, tantas vezes irrigada pela chuva matutina e noturna, descodificava ali uma verdade, muitas folhas e flores já brotaram, desabrocharam, murcharam e despencaram, caídas confiantemente, desapareceram no processo secreto da terra: transformaram-se na somatória e biodiversidade - infinitas relações - de um conteúdo chamado de "adubo". Tudo o que some, desaparece, de sua forma originária, torna-se em vida múltipla de outras coisas. A vida é isto um elo de relações mutáveis, um jogo de descobertas e possibilidades. A Morte é a falta de ajustar o ocular de nossas certezas e saberes. Assim, caiu-me uma reflexão sobre a vida e a morte: um ciclo de aparências e momentos, porém, ambas fazem parte do mesmo terreno, ciclo, impulso, vitalidade, tempo e aparência, mesmo que em cheiros, contornos e cores diferentes. E o amor? Isto é uma outra história.

Inveja do Artista




O artista é por excelência o trabalhador do belo. E toda beleza consiste de uma pretensão inútil, mas necesária. Antagônica como o ar e pulmão. Sem troca e preço, mas imprescindível na relação. A pessoa que se apresenta no cenário da arte gasta tempo e dinheiro na forma do que vê e sente. Debruça-se nas horas desprendido pelo mergulhar em si e nas coisas que o rodeia, e a engendrada mágica de refazer aquilo que lhe escapa, como amorte some das mãos dos que velam. Contrário aos operários do fazer, ele se afunda, entra e se molha nos detalhes perdidos e achados na consumação da contemplação. Faz-se melhor e profundo a cada dia. A cina do escravo do dinheiro e da técnica metrifica e vomita coisas pra fora. Constrói prédios e cadernos, mas não sabe a leveza do contorno da existência e do que ela arrecada em seu sumiço metodológico. Dá-me um palco e um casebre na montanha, refazendo-me no orvalho e no jantar improvisado. Quem se dedica a arte, se dedica num castelo sem pedras e portas, mas moldurado no templo de um ermo que é o próprio pé e peito de quem concentra a realidade por segundos, mas infinitos sentidos. Sentimento da alma e caminho da razão, talvez seja um enunciado da arte. No barulho de um computador o menino engole-se numa tela branca e colorida por imagens postadas por outros. Quem mostrará a delícia e saudade de um lugar amontoado na selva? Quero floresta e luz de arte, para sobreviver com mais dignidade e razão. Quero ser um humano mais atento, mais malandro, malicioso e filósofo daquilo que se perdeu e se consumiu na gula da rotina.Meus dedos não tocam música, por que cansei delas, minha rima quebrou no absurdo do tempo e do que hoje sou. A te´cnica não acompnha o crescimento da existência. Esta é a dor de quem sabe e a fome de quem já comeu e sente desejo de algo que não se encontra mais. Arte saudade do que sou, seria e serei.

domingo, 27 de setembro de 2009

Alteridade II


A partir de uma imagem montada e confeccionada pela crença se metrifica uma condição perfeita para se projetar aquilo que se escapa da própria responsabilidade. Ninguém mais "integral", Justo, PERFEITO que "Deus", pois a imagem de "Deus" não tem medida de experiência e realidade, só pode ser decadente aquele, ou melhor, aquilo que tem corpo. Faz parte da existência diversos ângulos e o olhar parcial, portanto, contraditório. Quanto desejo e anseio pelo belo e pelo que é perfeito. A religião transforma o fraco em forte, o ignorante em sábio, o pobre em rico. Tudo o que é utópico é ignorado pela grandeza do limite da rotina e realidade. Como se inventa em nós esta mania de procurar por algo que não seja aquilo que somos e deveríamos ser? Somos procura, não somos poça de chuva, mas somos corrego de vida. Faz parte o movimento. O problema está que erramos na imaginação, ao necessitar uma imagem estática, que não fala e nem se expressa, a não ser o eco de nós mesmo daquilo que esperamos e queremos que seja falado. Esquecemos que a trasncendência está naquilo que nos alienamos, nas profundezas das diversos meios de comunicação, e nos castelos das nossas fanstamagóricas realções patológicas. Nos fazemos na possibilidade do rídiculo, do ultrapassado, do profano, do limite, do corpóreo. O resto é projeção e fuga da real e da mais digna condição.

sábado, 26 de setembro de 2009

Alteridade I


Hoje vivemos dentro de um mecanismo uterino-verbal, ou seja, um elo de razões faladas dentro de razões internas imaginadas. Nada pra fora, tudo pelo outro, que engendra a nossa fala e imaginação. Vivemos como garganta que tenta se engolir. No trabalho se fala do outro, da vizinha e da concorrente. Na Igreja o padre cochicha com o coroinha e a sacristã, sobre a massa de fiéis e principalmente dos infiéis. É o vício mais em voga que parece ser da natureza, aprori. Fala-se do outro, fala-se das putas, das brigas dos casais, da menina retardada, do garoto garanhão, da mulher chata, do homem mentiroso. Adora-se categorias, como fantasia de escola de samba, quanto mais colorida e exótica, mais atiça e envolve a existência da passarela. Cola-se em todos outdoors de comentários, que se transforma em realidade maior do que a carne e pele do individuo falado. Num mundo de anatomia e psicologias, não se descobri a fórmula pequena, mas monstruosa do falar esquizofrênico do cotidiano. O que equaciona na vontade do ser humano de viver para fatos e coisas tão estreitas e óbvias de suas hipóteses? No cinema se procura um inimigo. Na rotina a diarista constrói um mostro de sua patroa e vice-versa. Assim a epidemia da fofoca e dos comentários sobrenaturais, literalmente, vai se fazendo. Falar de coisas é o modo como as pessoas tentam se perder para não se acharem nas coisas mais imprescindíveis. Tudo o que é essencial dói pra razão. Ninguém quer pensar nas dores de estomago de crianças da áfrica, nem dó na garganta da menina estrupada, muito menos do rico empobrecido por sentido: um suicida. Pensar na vida pra além da verborragia imaginária dos submundos e universos de nossa rotina funcional é fazer-se na alteridade saudável. Somos mais que a soma de mediocridades de imagens soltas e roubadas das coisas e de fatos alucinógenos para a percepção. Porque falar do namorado da secretária, enquanto aprova-se uma lei que mata milhões hoje e amanhã. Política, fome, miséria, corrupção, dinheiro em excesso, saúde em falta, elefante de circo velho, palhaço sem graça, maratona de pivete, caos no funk, cirurgia no cérebro. Deveríamos nos fazer a cada dia, minuto e segundo, como um ato de meditação budista, ou de encarnação espírita, na alteridade e não na fala rasa, grudenta, habituosa e libidinosa da mediocridade que rasteja no impulso mais primitiva, que visualiza o outro e as coisas, mas sem o odor e substância real e caótica própria de uma vida e realidade. Somos alteridade, sem isto vagamos no mundo das idéias de um conto parido pela língua. Nada mais e nem menos. A saliva é o sêmen da ignorância.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

bueno!
























Não diga tudo o que sabes

Não faças tudo o que podes
Não acredite em tudo que ouves
Não gaste tudo o que tens

Porque:

Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode.

(Proverbio arábe)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OPÇÃO!



Duas maneiras de encarar/ optar a vida:

 - Uma no olho do furacão de um coletivo oprimido, centro e periféria, relógios, concreto, barulho cilíndrico, fumaça, feiúra e mal cheiro, marginais e estranhos, urbano espontâneo, caos;
- A outra maneira revelada na memória de um ermitão, como um cenário de Búzios, hora do sol, florestas úmidas, silêncio dos pássaros, filhos e vizinhos, fartura e beleza natural, prazer e harmonia.

O que optar, ou melhor, para que viver e para que morrer?
A escolha de uma vida está no sentido de uma morte!
Hoje dói viver.
Estou em São Paulo.
Qual a razão desta opção? 
Onde se equaciona a alienação?

domingo, 13 de setembro de 2009

Uma questão de fé!

"Enquanto os homens tiverem de morrer, uma parte deles não poderá suportar esta idéia e criará subterfúgios. Não se assassina um subterfúgio, não se pode matá-lo. Ele é quem nos mata: Deus mata tudo o que resiste a ele. Em primeiro lugar a Razão, a Inteligência, o Espírito Crítico. O resto vem por reação em cadeia..."
Michel Onfray.

Sustentabilidade

"A Idade da Pedra não acabou por falta de pedra."
(Zylbersztajn)

contrapondo

Para contrapor com o que foi escrito antes...
De Carlos Drumond de Andrade:

Amar

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Romance





Será que alguém disse o que seria o amor?

E se isto valeu, e foi feito como alimento?

Palavra é palavra

Nada entre o dito e o silêncio,

Ambos condenados ao inútil



Tristão e Isolda,

Sofrearam na imaginação
Minha vó se fez na real

Entre a panela e o travesseiro

Idiotice é escrever

Sem ter na mão a faca do sustento



A história oferece a certeza

Entre castelos e favelas

Castigos e promoções

Piedade e crueldade

Saudade e divórcio



Aqui nesta cidade

Vejo carro e menina indo no salão

Unhas e cabelos

Livros e romances

Na prateleira da mente o tédio

Serei capaz ainda de construir uma história

Que desse lágrima ou temor?



O absurdo da vida se esconde

Na fatia da maça vespertina

E no mercado onde vendem o leite

No leito do parto

Uma mãe sonha com colégios e praças

Sobra-lhe a dor no peito



As cascas que são deveres

Trafegam no homem como navalha

E pedaços da morte

Ruas perdidas com entes moribundos

Em prédios antigos, vizinhas sem nome

Irmãs sem amores

Dedos sem destino



Quem me disse que amar é ter vida

Mais um som sem verdade

O que fazer com a trama da minha janela

Tenho medo de enlouquecer e rasgar meu contrato

Não somos nada, além do reflexo deste urbanismo

Decadência do que foi minha infância

E o que será da minha identidade

INEXSITÊNCIA

Somos anônimos de nosso próprio caos

Vagamos entre a consciência e o ter

Porém, nos fazemos no vácuo do abismo do nada

Sem pó, sem verdade

Apenas com os olhos no limite e vaidade



O livro está molhado no banheiro

Misturado com urina e roupa suja

Esqueci de algo?

Ou aprendi com o não-dito?

Melancolia ou razão?

Talvez a primeira seja um mal entendido da segunda



Busco hoje o equilíbrio do desequilíbrio

A morte da vida

O coração das minhas mãos

Dexei de lado como doença

Aquilo que me trouxeram e me fizeram crer

Moro no quarto de minha ignorância,

Mas sem portas, janelas e paredes

Aberto como vela em alto mar

Ou satélite no vácuo universo

Procuro sair de mim mesmo

Sair de minha história

E mergulhar naquilo que nos escapa



Quanta abobrinha

Vejo daqui botecos e igrejas,

Outros entre o sono e comer

E eu mais um vez doido por mim mesmo



As vezes não sabemos onde roubar

Ou o que ensinar

Pois isto é invenção de meus passados

a nossa prisão e condenação

é a consciência coletiva



Sociedade é a soma de contradições e crenças

É um universo de imaginações e devaneios

Até suas conquistas são fantasmagóricas

Começou a chover

E vejo em prece

O mundo sendo lavado

PINACOTECA

A arte terá razão de ser por ela mesma?

Como um espermatozóide sem ejaculação?
A arte o que?
Seria o contorno evidente de uma realidade despercebida?
Ou é som e cor pela aparência?
Terá um recheio, um sentido?

O que diria Matisse?
Acabei de sair de uma exposição deste autor
Pinacoteca conserva o que há de mais valioso
Quanta coisa e gente lá
Salas forradas de obras-primas
Corpos contorcidos e quebrados
Para agredir e perceber que a vida é imperfeita

Quanto colorido e formas
Nada de tão dito, mas tudo explícito
Ares da tantos lugares França, Holanda...
Paisagens e formas diversas,
mulheres desnudas, pagas como manequins
O gosto do contorno e luz
Genialidade no toque
Toque do quê?

Acabou.
Fim de expediente
Seguranças avisam o término da aventura
Saí.
Lado de fora,
Vaguei entre o bosque e as ruas
Vi bêbados.
Miseráveis com instrumentos mal tocados

Atravessei a avenida, atrás de mim o imponente templo da arte
Castelo de mistérios e histórias
A minha frente uma porta grande com muita gente
LUZ
Uma estação diferente, mas igual a qualquer pedaço de São Paulo
Crianças com roupas coloridas e cheias de letras,
Diferentes mas todas iguais
Pais suados pelos passeios
Mulheres estressadas pelo destino num trem lento e velho
Atrás e acima turista com máquinas vislumbram o teto da construção
Marco histórico
Mais um flash de arte que está na construção
O resto dá nojo e é repugnante
Deve ser evitado, excluído, fugido

A beira dos corredores da estação a obra por excelÊncia
De uma cidade construída e arquitetada inconscientemente
mulheres altas baixas e gordas
A sujeira está na pele e não no chão
Unhas pintadas
Pernas feitas de algo que não saberia pintar
Velhas e barrigudas
Prostituas, “mulheres da vida”,
Ou mulheres de nós mesmos,
homens e mulheres,
adultos e crianças
Pedofilia?
Não somos pais daquilo que engravidamos pela insensibilidade
Estrupamos a cada nascimento de uma miséria
Pensei, caminhei e olhei nada mais
Sobrou-me o caos do desepero
O não-fazer
Na minha frente se levantava um ônibus de fronte a Pinacoteca
Quanta gente cheirosa, quantos artistas nasceram nesta merda do não-cheirar?
Não sabemos o odor da realidade
Muito menos a agonia da vida
Quando andava, um monte de mulheres afobadas,
esperavam catar alguma oportunidade
Moeda de mais valia, penetração e grana
Agride? Porquê?
Nada mais do que um gesto solto sem moral
Assim como ir até a igreja: uma crença
Pular no escuro, diria a voz rouca do pastor
Atrás uma mulher toda feia e pobre chorava
Desespero? Medo?
Não sei

Caminhei
Fui
E pensei
O que terá Matisse visto?
Quem pagará o imposto destas obras?
Envergonhei-me por gastar meus sapatos no solo daquele lugar
Longe da realidade, distante do intelecto
Mediocridade da consciência
Não há arte sem corpos e denúncia
O que sou da Luz?
Um turista e um ilusionista de minhas idéias e percepções
Quero ser artista?
Enquanto escrevo isto a tv revela mais um ator
Não considero samba sem comunidade
Nem pintor sem prostituta
Assim como cidadão sem o outro perdido em tantos cantos
Nem percorridos e nem sabidos.

gentificar


"Gosto de ser gente, porque inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença entre o ser condicionado e o ser determinado.[...] Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influência das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo".

(Paulo Freire)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Religião, humanismo e hedonismo...


"(...) o anúncio do deus morto proferido por nietzsche, o do falecimento do homem feito por foulcault, liberam o terreno para um novo nascimento no qual o humanismo e os direitos do homem desaparecem. (...) deus celebrado, o homem divinizado não produziram, realmente, senão a alienação e a servidão, o empobrecimento, o enfraquecimento dos indivíduos, seus sacrifícios aos leviatãs multiplicados.
após deus e o homem, o camelo e o leão nietzschianos, é preciso celebrar a criança e as virtudes da inocência coextensiva ao sobre-humano desejado por zaratustra. além do rosto de areia, pode-se traçar com um dedo febril o contorno de uma nova figura: o indivíduo soberano. a morte do homem e a superação do humanismo ganham seu sentido nessa perspectiva do reino da nova figura. primeiramente, deus dispõe de plenos poderes e o homem não conta em nada, uma coisa sendo a causa da outra - a religião triunfa; em seguida, o homem reina sozinho enquanto que o indivíduo soberano não tem existência nenhuma - o humanismo lança todos aos sufrágios; imaginemos então uma nova época, possibilitada pelas fraturas abertas em maio de 68, tendo, ao centro, o indivíduo soberano e o reino daquilo que chamarei o hedonismo, sem esquecer a lição de nietzsche para quem todo prazer busca a eternidade.
(...) feito para ser ultrapassado, dançando no vazio sobre uma corda estendida entre a animalidade e o sobre-humano, o homem se exercita volteando no espaço, por cima de uma praia cuja areia poderia muito bem acolher sua queda e abrir-se em forma de tumba. O pai de zaratustra afirma que a distância é tão grande entre o verme ou o macaco e o homem quanto entre o homem e o super-homem. O trabalho dos nietzscianos franceses após 68 consiste em avaliar, medir, considerar a distância entre o ponto do meio e aquele da extremidade, longe das origens, antes de empreender um outro percurso, aquele do segundo segmento. sobre esta linha, deus e religião se encontram no início, o homem e o humanismo no centro e o indivíduo soberano e o hedonismo no final".


(A política do rebelde - tratado de resistência e insubmissão, Michel Onfray, 1997)

domingo, 30 de agosto de 2009

Razão filosófica


VERDAD


"Hay hombres que luchan un dia y son buenos/ Hay otros que luchan um año y son mejores/ Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos/ Pero hay los que luchan toda la vida/ Esos son los imprescindibles"

(Bertolt Brecht)




A/cerca da sociedade atual

Onde se encontra, se é que existe, o limite entre o que é coletivo e particular nos centros e periferias urbanas? Hoje o que chamamos de "metrópolis" e até mesmo daquelas cidade de pequeno e médio porte, professam a crença no indivíduo, como um ser ilhado numa família e necessariamente relacionado ao seu habitat laboral. E a declamada e unânime profissão da crença da inexistência da comunidade, como território e espaço de possibilidade de conquistas e de um desenvolvimento baseado em interesses e partilhas. O vizinho é um ente indiferente, inexistente pelo corpo de nossa atenção e necessidade. Uma rua não representa mais um espaço de troca de perspectivas e de interesses comuns, mas apenas um risco de concreto que pavimenta o "meu" acesso e o "seu", enfim, um acaso geográfico. Neste novo cenário de relações, o número presente na faixada das casas e a caixa postal de um coletivo cahamado "família", têm a sua essência em si. Não importa se estou no Rio de Janeiro ou em Curitiba, a uniformidade de relação é a mesma. Os sabores perdem cada vez mais as suas peculiaridades, singularidadese logo leque de criativas sensações e lógicas elaboradas pela experimentação. Os indivíduos se coletivizaram, massificaram escolhas e desejos, se trasnformaram em mutantes do poder. Queremos "coca -cola ou guaraná". Não ousamos criar saberes/ sabores e bebidas. Quem já tomou banana com manteiga e melancia? É ruim, indigestivo? Mas todos os produtos tem um veneno codificado em seu corpo. Como dizia Fernando Pessoa, o primeiro construtor de frases de marketing: "Tudo o que no início se estranha, com o tempo se entranha". Uma outra premissa desta reflexão está em que tudo o que a sociedade produz é relacionado com ter e gastar, onde o "comer" é verbo que transcende a sua realidade, se trasnformando numa antologia: Queremos comer tudo e todos - Logo, somos artefatos para o consumo. Apenas isto. Servimos para consumir, como bichos primários sentimos cheiros para comprar, degustamos para sentir mais vontade, vomitamos para nos esvaziarmos. O desejo pelo desejo. O querer pelo querer. O comer tem um caráter, em sua origem, uma questão de necessidade, hoje é um capricho e um passa tempo. Quem transformou a comida em produto de apreciação e que custa dinheiro? Tudo foi manufaturado. Quanto custa a cor inigualável do Caqui? E a aguá fresca da fonte, hoje blindada pelo rótulo de grandes empresas e donos ? Neste estado o ser humano se transfigurou em um ser-obejto, fundamentado pela sua relação com o mercado e não mais com sua conquista de territórios de histórias, que são equações de dores, sonhos, delírios, sofrimentos e esperanças com o mundo e os outros semelhantes. Não sonhamos mais porque nos sentimos esmagados pelo acumulo solitário de nossos anseios e temores, mover-se é impossível. A massa é muralha da impossibilidade. A consciência coletiva é coisa de livros e pensadores de uma época idealista. O que farei frente a injustiça e a mão invisível e gigantesca que manipula e destroça a rotina do coletivo subjetivo chamado sociedade? Eis a fórmula dantesca desta apática e paralisia de causa que chamamos hoje de alienação.

Independência ou morte!

Vida de cimento. Vida de proletariado, perdido entre a mão e a produção. A miséria da cidade está nas pessoas. O verdadeiro lixo está na mente daqueles que se intitulam gente. Existe possibilidade de reciclagem? Há possibilidades que não são reais, quando a alma deixa de existir e quando o brilho foi ofuscado pela falência. Existirá um ponto de cura? Não há remédios para defuntos. Torçamos pela brisa e pela catástrofe ecológica, talvez ela regenere aquilo que homens e mulheres perderam ou deixaram-se morrer. Proclamo isto, porque nem projeto e nem políticas mudaram aquilo que nosso corpo já diagnosticou e nossas idéias professaram. Pessimismo ou modo de esperança realista? Nem Marx e nem Buda sabiam da pedagogia regerativa do cosmos na imanente ignorância humana e social. Independência ou morte? A espada do império enferrujou e sonhamos com um terreno de supremacia e justiça. Prefiro a morte, quem sabe assim sobra-me um pouco de vida e uma lógica natural, sem revoluções, leis, consensos e carteira assinada: faço prece pelos pés carregados de frutas e o rio cheio de seres mais relevantes que o bípede de barbas e seios - uma aberração do intelecto.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

DESEJO


O desejo é a explicação exata da gente. Nele não há excesso ou exclusão, enfim, é a tautologia da existência!

Como? (alimento X interrogação)


Hoje sou fábio visitante de ruas. Falar do nome é fugir do enfeite e da piada. Somos peça daquilo que não precisa ser decorado ou explicado. Somo na retina mergulhos diários do metrô ao trabalho, equação natural como vagina de prostituta, nada diferente do que milhares de famosos e/ou anônimos patéticos cronistas já escreveram. Dá nausea ler jornal, pintam aquilo que nossos pés estão. Por que mostrar um rosto enquanto a multidão não pode ser cristalizada numa imagem? Exisitrá uma lente grande o suficiente para a realidade? A mentira surge como alimento. Estou faminto, necessito de almas, de abraços, livres da gramática e distantes do chão lambusado de odor. A Vida é bola no telhado, esconde-se mas é sempre procurada. Alguém sempre a achará ou o dono da bola ou o dono do telhado e quem sabe o vizinho aleijado. Tudo é um mistério. Tudo é arte, pis é sobrevivência. O telhado da sociedade é labirinto do caos. O que é normal é a farsa do medo. Os dedos são fagulhas da mente, pois se tenta fazer o contrário se enterra no tédio do horror da corda podre da razão. Suicídio da conciência. Quem mudará o trilho dos meus passos? Preciso de um help ou serei dono de minha desgraça? Não acredito mais em revoluções ou em porões assombrados. A caça acontece à luz do dia, ou embaixo de um poste mal iluminado em qualquer rua de uma metrópole. Metróple é tudo igual muda só os luagares dos depósitos. Tudo nela é deposíto inclusive o que se considera livre, vázio, pobre desapropriado. Falo isto do bueiro a unha incravada. Tudo é cheio, escesso, acumulo. Violência é trasnbordar da paz. Aqui conheci, o que não dizem. Deixei amigos, conheci olhares iguais, vi gente no shopping, passei horas no cinema, na esquina a vizinha canta bêbada buscando estômago para a semana e na vitrine modelo de plástico despenca, bandido diz ao moleque "viva sem esconder-se, é o que sei". O que disse ou quiz dizer? Não importa as falácias são verdades mal pronunciadas. Mas o que deve ser pronunciado? Nada, pois um arroto vale muito no império do corpo.Vi zumbi, vi advogado, vi mulher pelada, vi mortos, vi montanha, vi estradas, vi passado, vi costelas, vi espelho. Ontem a noite algo aconteceu, dormi feito herói na revista de um imaginário elástico onde o único espectador era eu. A dor de saber da precária depressão de nós mesmos é o máximo desejo daqueles que um dia disseram a palavra "sabedoria". Foge do que tens, encontres com quem és e grite sem medo do excesso para quem lhe falar. A sanidade do ser está na brutalidade da ousadia. O equílibrio está no que está caído ou nem se levantou. Desvende este universo, escondido no que não foi dito. Coma uma interrogação e viverás. ?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assunto privado

Gentificar-se é uma forma de assumir a nossa mais alta condição! A fome, o frio, a doença, a morte do próximo, personalizam diariamente muitos heróis. Ser gente de forma extrema, sem as dores da aparência é a essência mais heróica. Salve o trono de nossa plena condição. Ser gente é um ato grandioso, ainda mais nesta monstruosa rotina. Você sabia que existem necessidades mais básicas do que ser um herói!? (Bueno desenho Ziraldo)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cli-chê

"Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém,
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece."

(Che Guevara - Poesia de Sophia de Mello Breyner)


Atrás de uma juventude existe sempre a mentira da totalidade, porém, esta totalidade atinge a parcialidade possível que lhe é cabível. Ou seja, o éter do impossível constrói o passo e o toque do possível. Che Guevara, nem mais e nem menos, apenas um homem que acreditou, falou e fez algumas coisas no local singular de um país e de uma nação. A história não se repete e não tem realidade elástica. O que este homem fez em um lugar, frustou-se em outro por não estender a seu impacto imaginado. Ideologia e prática são duas receitas que se permeiam, mas não se fundem. África não é Cuba, Cuba nunca foi Argentina e a Bolívia se engendra num tapa na cara da fantasmagórica força revolucionária. O ser humano se constrói na simplicidade de uma rotina emaranhada de medos, frustrações e necessidades. Quem já leu a história do Che exorcizando as fantasias históricas e, até hoje, disseminadas pela matemática do acreditar e projetar? Jesus, Buda, Betinho, homens ressuscitados pela voz de um coletivo dissolvido que tem como segurança a crença no diferente, no herói, no mártir e no universal. Nesta melodia o lucro supera a imagem. Propõem-se cenário de medidas que acalentam a necessidade da transcendência diante do trivial, tosco, bruto, imaturo, feio e retardado. Estampa, coleri, desenha e vende uma imagem daquilo que se espera na madrugada de um dia sem grandes feitos, nem grandes anseios. Somos feitos de uma ocacidade de acontecimentos e do espetáculo mais primário do fenômeno do existir. Comer, dormir, caminhar, conversar, desbravar a floresta do dia-a-dia se torna numa atitude heróica do anonimato sentido do ser. O consumo é uma imagem de si mesmo, que gera o anseio do ter pelo ter, onde a matéria retarda a lógica desvinculada de uma linhagem histórica, não importa o que se produz, importa o que se vende. Este é o clichê da sociedade atual, uma aparência na necessidade de refência da humanidade. Cli-chê do cosumo e da tentativa de afago de uma complementariedade na crença em algo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Amor", imaginando uma realidade


"Amor" é falácia ou descrição. O imaginário é o campo que permite ao ser humano a identidade que lhe compete hoje enquanto ser. É a fórmula que equaciona e proporciona a dubiedade presente da sua existência, sua capacidade de transcender a funcionalidade da percepção. O ato criador surge da potencialidade da imaginação. Imaginar é ter consciência de coisas que estão a frente, atrás e ao lado. Existir é um constante imaginar. Sem esta possibilidade não existiria escrita, rima, doutrina e moral? Não sei, as formigas desenham condomínios que identificam e subtraem uma lógica impenetrável pela burrice formal. Mas afirmar que somos fadados a uma existência singular por ter a capacidade de imaginar, eu não sei se esta afirmação é possível. Acho que tudo que existe imagina. Faz parte da organicidade das coisas, não só da aparência, mas como essência, profunidade, multiplicação infinita. Agora uma coisa quero gritar, sussurrando nestas linhas, o "amor" foi imaginação de quem? " Nascemos sós e morremos sós, por isso, na vida, tentamos viver em companhia", Raquel de Queirós, descrevia isto em suas tantas revelações. A vida se enfeita de coisas para desfilar na avenida do sentido. Tantas montanhas são codificadas no paladar do pensar, que se abstrai num acreditar que declama na boca e frustra-se nos pés da razão. O amor não é ponte entre a emoção e a realidade, mas sim, é musculação do cérebro e dos sentidos. Somos educados a amar. Amar é sinônimo de compromisso, projeto de hoje, ontem e futuro. Na música do rádio o rouco poeta canta mais um amor. Pra se dizer verdades, basta contar histórias de algo que foi vivido. O homem é estatura forte mergulhado na fragilidade da mulher. A mulher é espelho da adormecida sensibilidade masculina. Enfim, ambos projetos daquilo que se quer de si mesmo e reproduz-se na imagem de um outro. Amor é coisa que se faz e é feito, nada de uma tempestade surgida, mas vento de um movimento do corpo daquele que se confessa amante. Mesmo com este falatório todo, surge a cina: Onde des-cobrir esta coisa denunciada "amor"? Talvez longe do que falo e mais perto do território do que muitos, silenciosamente, sentem depois de anos de acreditar neste conceito imaginado na prática.

Parodiando idéia: Sem Deus, mais humanos!


Não costumo postar textos de outros, mas acontece que somos atravessados por sentimentos de identificação que beira quase a concepção que temos de "inveja". Tem coisas que gostaríamos de ter dito na cara do mundo. Segue aqui, de modo literal, palavras do rabino Nilton Bonder, um pensador transgressor sempre nutrido pelo princípio da desconstrução, um religioso por acaso:


"O mundo de hoje está saturado de Deus. Não é o Deus dos profetas que um dia preencherá todos os corações, mas o Deus que sufoca o humano e que como um ídolo se torna repositório de todas as pequenas verdades dos homens. Verdades essas que excluem e destroem e que matam indiscriminadamente em guerras, ônibus, trens e agora também em escolas. O que seria dos homens se deixassem Deus de fora e assumissem o que fazem? Com certeza muitos enlouqueceriam e muitos se fariam mais humanos. É muito fácil fazer o que Deus quer e desvencilhar-se da responsabilidade do arbítrio do próprio indivíduo. Por isso todo homem-bomba que se explode termina com suas 70 virgens — com 70 consciências de lucidez a lhe dilacerar em culpa pela eternidade afora! Deus foi talvez a descoberta mais refinada de nossa consciência e, ao mesmo tempo, a que mais sofrimento trouxe".
A visão de um objeo intitulado Deus consome uma prática alienada, dona de si mesmo. Omesmo olho que acredita é o objeto venerado. Veneramos o nosso lado sobrio, ou o nosso lado mais grandioso. O conceito de onipotente, oniciente é fórmula de uma hipotese daquilo que imaginamos ser, por isso inalcançável pela prática real. O que é Deus? Se calessemos mais e buscassemos sentidos no odor daquilo que sentimos e prazer naquilo que mrgulhamos no coito buscado. A vida sem Deus é mais divivna, e o divino sem o humano é fórmula de ficcção existe, mas enquanto soma de palavras e não de coisas em si.


Sem mais e nem menos! Um recorte para muitas reflexões e verdades a serem autenticadas pelo pensar neste falatório todo chamado Deus, que é a soma de projeções humanas! Se fôssemos pintar uma imagem de Deus faríamos vários corpos, milhares de bocas, um mar de olhos, montanhas de cabelos, enfim, diversas facetas provindo de todos os cantos que reverenciam e cultuando este conceito DEUS. Deus não governa, quem governa é capacidade humana de se meter a besta em questões que imagina modificar. A vida é sempre maior que as intenções e nem uma mão, braço ou pensamento interfere na lógica ilógica do fenômeno chamado cotidiano. Não chamo isto de "Deus", pois seria mais um arroto oriundo de uma reação do meu estômago. Calo e vejo a vida e seu mistério natural passar, como lágrima nos olhos, por mais que sabemos da anatomia deste gesto ela sempre surge e nos surpreende. E isto escapa a qualquer bisturi e descrição científíca e religiosa, por que é VIDA. A vida está num terceiro elemnto nunca alca'ncado plea limitação projetável do ser humano. Porém, somos maiores que imaginamos, dependendo do grau de humildade em que se educa, este é o método, esta é a verdadeira razão de pensar.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Terra: entre o céu e o inferno


Inicio aqui a volta do que já foi, a plasticidade da redundância escrita, publicada e revelada, mas a cirurgia no peito em fumaça de idéias é realizada, mesmo em meio a contradição e limite. Expelir um aroma perdido da sinceridade, esta é a estratégia, a meta e o escambal. Fazer-se honesto, em meio a montanha de trabalho e os kilômetros da volta para a casa, é heroísmo ou milagre? A palavra "santo" vem da palavra latina salus que pinta o conceito no português de "saudável", desvirtualmente pixada pelos doltos católicos como "salvação". Bueno, como se curar sendo afogado pela doença de remédios? Injeções anestésicas injetadas nos passos dos segundos de cada movimento intencional de forma robotizada neste caos universalizado das cidades. Hoje não vivo na cidade. Sou a cidade, uma matéria fria, concreto, ruas e cheiros, um bueiro transbordando as únicas virtudes reais: angústia e medo.Teremos posssibilidade de sobreviver em um canto virgem, sem intenção, com uma saúde que dê conta da sobrevivência mais básica da beleza, do estético, do agradável, do prazer, da imaginação, do afeto, da liberdade, da relação, da fala sem lógica, da poesia do olhar, da comida do campo e das horas perdidas? Elementos estes desabituais no cotidiano dos direitos básicos da rotina urbanizada e pós do pós capitalismo, que chamavam de "selvagem", mas que deixou este estatus, publicitário e inútil do planfetários militantes, para a naturalização de sua presença e razão de existir. Hoje o capitalismo não é nem aplaudido, nem esbofeteado, mas um ar respirado, vitamina introjetada na necessidade do corpo vivente, enfim, naturalizado na ordinária ontologia da existência presente. Mais uma vez olho da janela, se tem grades eu não sei, e me vejo aqui, universos perdidos numa sala chamada mundo. O que usar para sair ou fugir deste estado concreto? Um avião, um foguete ou um metrô? Impossível, a fuga não depende de meios, mas da prioritariamente de fins. Um objetivo vale mais que instrumentos. Somos enfrangalhados por meios, mas o caminho é viciado, copiado, medido pela obvidade do destino. Mentira verdade, saimos e sabemos aonde vamos chegar. E o pior que, esta chegada, é o lugar que não optamos estar. Isto é o carma de uma geração, ou patologia de um indivíduo fadado as suas fraturas psicicológicas? Não mergulho a mente em terrenos só internos, qual fotógrafo clico na paisagem virtual e alienada do corpo das coisas, que passam feito bailarinas engessadas, ou atleta sem pernas, braços e coração. tudo isto, como o fantástico e deprimente Mundo de OZ: homem de lata querendo coração, leão na intenção de ter coragem, espantalho querendo ter cérebro... Rá, a essência das coisas está no vázio de ser uma aparência moldada a partir da "bionicidade"(de biônicos) dos interesses capitais de seres conscientes, corajosos e emotivos, alimentados e educados pelo poder. Quem vai parar com a carnificina de mentes, sonhos e liberdades, entalhadas pelas filas de metrôs e pelo medo do desemprego? No inferno de São Paulo fui doutrinado pela imagem do diabo e de um Deus distante. Ou seja, limite humano é a medida real. Salve-se quem puder, pois o inferno é lógica breve e proximidade real, basta deixar-se cair. O céu, sem ponte e nem possibilidade financeira e material para ser atingido, se torna em esforço irreal e impossível de mais para existir. Terra, medida entre céu e inferno. Ficar na hortizontalidade é questão de sobrevivência, porém, somos detinados a sermos seres caídos nascidos com o peso complexo no passo e no respirar... logo, o inferno é o nosso destino, crendo ou não. Precisamos ser homens e mulheres, enfim, gente, para acreditar na possibilidade única e salvífica da vida, se é que isto seja possível ainda. Terra, a virtude entre o céu e o inferno.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

PARINDO A SI...

FAZ TEMPO. ESTAS LINHAS SERVIRAM DE TÚMULO DE SILÊNCIO DE ROTINA. CADA UM TEM VONTADE DE VIVER A PARTIR DO SEU SURTO DE EXPRESSAR-SE. ENTRE SARAMAGO E O PADEIRO A ESCRITA DÁ A LUZ DE NÓS MESMO. ESCREVER É UM PARTO. VIVER É UMA ESCRITA, MESMO QUE NEUTRA, PERDIDA, OCULTA, SECRETA, INENARRÁVEL, QUIETA, ANÔNIMA, SILENCIOSA. TANTAS COISAS ACONTECEM SEM O REGISTRO DA MEMÓRIA. QUERO CRAVAR NESTAS GOTAS INFINITAS DE BRANCO UM MAR DE IDÉIAS QUE INVADEM SENTIMENTOS, IMPRESSÕES, DELÍRIOS, OLHARES, ARROTOS, CM's DE DIZERES, DE VERDADES MENTIRAS, DE ÓDIOS, SATURAÇÕES, ABERRAÇÕES, ELEIÇÕES, DESCRIÇÕES, ENFIM, COISAS DE COISAS. ISTO É MAIS UM INÍCIO INICIADO SEMPRE, O CONTRÁRIO, É 7 PALMOS DE TERRA. PALAVRA É AR, É ESPAÇO NO TUMULTO, FLOR NO FERRO VELHO, SOM DO SURDO, VOZ NO MUDO, IMAGEM NO CEGO. OKEY?!ATÉ AQUI. FUI, MESMO ESTANDO.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TURBULÊNCIA

Indo e vindo pelas ruas da cidade mais maravilhosa de todas. Esbarrei em gente de praia, com pés sujos de areia. Menino sem camiseta. Metrô demorado e com cara de início de velório. O sol diminuía e eu atrasado para um encontro na baixada fluminense. Sai do metrô feito lobo da cova. Cheguei na Central do Brasil, deslizei por ruas laterais. Passei por camelôs de cortiços e dezenas de botecos entulhados. Cheguei num terminal de ônibus, que desconheço o nome. Vi uma mulher louca na calçada com as pernas em lôdo, não sei donde. Catava restos de bitucas de cigarros no chão. Gorda, sua barriga esparramava um suor oleoficado no seu púbis. De um lado e de outro vinham pessoas apressadas. Era domingo, fim de expediente da liberdade e eu pensava: "quantos reais deve ter aquele pai que sai na frente de sua esposa e de três crianças, como um estranho perdido? 2 reais e 90 centavos era o ônibus. Como terá ele conseguido este dinheiro? Dinheiro não é nada, mas é o pão de quase tudo. Do outro lado da rua uma prostituta exibia seu corpo, mais ondulado que o natural. Estava anormal, pois estava grávida e fumava. Naquele canto central todos ali pareciam gostar de cigarros. Porque todos transmitiam uma desarmonia em suas vestes e rostos. A feiura tem nome e codinome. Aqueles ali eram a lista da feiura mais feia. Algo me lambuzava o coração de tristeza e desespero. A realidade é maior que a teoria dos doutos conhecedores das estruturas sociais. Pensei em um culto pensador de renome internacional, com sua linguagem integradora: Terá ele conhecido um olho de furacão como este? Uma coisa é promover propostas em uma cidadezinha provinciana, outra coisa é imaginar uma possibilidade de integração com o cheiro de desarmonia de uma estação como esta. Integrar o que pra mim é caos é morte de objetivos. É fatalidade de estagnação. Ao meu lado, na fila estendida do ónibus que me levaria, uma adolescente com os dentes pretos de tabaco e maus tratos, joga um resto de sorvete no chão com papel e tudo, em seguida passa um ónibus e esmaga aquele papel no chão impregnado por uma massa preta que transbordava do esgoto no meio do terminal. Tudo era preto ou cinza. Pixado ou quebrado. Não vi planta e nem leveza vi o peso de coisas. Que se arrastam e deixam arrastar. Não quero mudar as coisas. Queria sentir-me mudado diante do que vejo. O que é a realidade? E a beleza? Onde mora meu animo? Enjoei-me do que vi e calei-me diante da imaturidade do que não entendi deste sentimento, pra além de um comportamento emotivo e OCULAR. Turbulência no corpo, estômago virado, olhos doloridos e a mente pirada sauda uma febre incomum. Nos lábios um mármore de frieza e no rosto o cheiro do temeroso silêncio do limite, tão próprio da intimidade da vida. (sem as devidas correções)

domingo, 21 de outubro de 2007

Alma parida.

A mulher é a lapidação de nossa masculinidade. Através de nossa mão de homens, construímos a delicadeza e exuberância de uma alma feminina. A mulher é a saudade da beleza. É a ansia de uma insatisfação do que queremos. É o que nos escapa, embriaga e frustra. A arte é a feminilização da brutalidade do mundo dos homens. Não acredito em anjo, mas nos contornos misteriosos de uma mulher. Piu, é o que tenho a falar. Sem este contato perco-me na filosofia estéril dos pensadores de gabinetes e sacristias.

"curativos em cânceres"

Este mapa deveria ser ensinado nas escolas e distribuído pelo governo Federal. "Poderá um louco falar de sua sanidade?"

Brasil de ontem e hoje

O Brasil e a sua mestiçagem filosófica. O pior é que tem gente que tem um Deus romano e um olhar de chinês. Europeização ou escravidão inconsciente de nosso consciente milenar?! Onde está meu cheiro de fumaça? Onde ficou o meu Deus Sol? Onde está minha destreza nos rios, minha corrida enérgica nas florestas. Onde ficou minha inteligência da oca e meu jardim de carcaças?
Salve Ziraldo! [Índio brasileiro misturado com o passado e publicado no futuro]

Puta cidade maravilhosa

Ontem estava mais uma vez no Rio. Copacabana com sua meretrizes e seus pintados, pelo sol, turistas de não sei donde. Devem ser da linha longe do oceano. O Rio tem algo que consome o orgulho de viver. Você pode tar fudido de cqualquer coisa. O Rio é o psicólogo dos pobres. É o delírio dos artistas. É a alma dos endemoinhados. É a brisa para os desertos homens. O Rio é algo para ser descoberto. O Rio é do Cristo não igrejificado, mas erguido como obra de arte pro mundo contraditório. Quem governa este Rio? Um homem? Talvez, Deus ou o Diabo!? O Rio é coisa de gente grande e brincadeira de nenem. O rio é a alma lavada na pedra de qualquer calçada. Penso um dia em morar e morrer nesta cidade. Morto mistura-me-ei em tudo nesta geografia desmedida. Ser pisoteado pelos seus moradores e suarei em cada corpo que passa pelos seus becos, ressuscitarei em cada toque de samba, e afagarei o sono dos bandidos e santos anônimos. Serei uma florestra umida de seus montes ou um lago destes jardins. Uma gota de praia ou uma bala perdida. Ressuscitarei em tudo. Serei Rio, este é meu sonho mais louco e mais visceral. Rio de mim mesmo.