porta quebrada

Esta página não tem intenção de ser reconhecida pelos "outros", mas serve de alívio para o que nela tenta escrever, rabiscando sentidos e percepções. Fadada ao caos do tempo alienado dos compromissos, aqui a mão e o cérebro se faz silêncio e palavra que perfura até o chão da rotina, ou seja, aquilo que deveria ser e não é mais. Por isso, neste espaço não existe porta, pois está quebrada, arrebentada pela liberdade do interesse.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

II CONFISSÃO?

Nos corredores e salas dos conventos os frades são a representação da falsa ideologia. São chamados e se vendem como irmãos, mas na verdade são maquiavélicos a ponto de sabotarem e buscarem a morte do outro, de maneira imaginativa. Mas dizem que a imaginação é o ato mais perverso pois antecede o fato. Cada um no seu universo, mundinho fechado e aberto aos desejos de reconhecimento. Um frade é um ser a procura de bengalas de reconhecimento, ser paparicado é o ato de inflar-se e sobreviver nesta opção sem fundamento, apenas um sopro de delírio do passado. Muitos permanecem na tentativa de buscar algo que nunca encontrou, mas sabe que já se decidiu e não quer renunciar a verdade de que aquilo nunca existiu e nem existirá. No início inculcam nestes sujeitos desejos de uma profissão, em que será revestido por uma vestimenta diferenciada o “hábito”. Depois outras expectativas de estudos e cidades diferentes, até culminar na possibilidade de consagração perpétua ou ordenação e assim vai percorrendo as expectativas deste manipulados seres. Até que envelhece em cargos e funções tão normais que a pergunta se evidencia: Por que continua registrado nesta vida religiosa? Perguntei isto há muitos e me disseram é tarde de mais para iniciar uma vida “por si mesmo” e outros se calaram, pois a resposta é grande e feia de mais para caber e ser admirada pela consciência. Muitos destes têm mulheres iludidas, vivem momentos em motéis, ou hotéis em grandes centros. Ao conversar com os companheiros de turma e de outras turmas mais novas soube do óbvio a não possibilidade real de viver sem uma transa ou cumplicidade de toques com alguém. No convento uma coisa era explicita, por mais que nunca dita, a homossexualidade se resume em dois comportamentos: o primeiro alguns assumem o companheirismo com algum colega, outros são tão estéreis que se montam de um machismo bruto por não querer revelar a sua condição humana afetiva de ser gay. Por mais que não assumam a violência das palavras do comportamento grosseiro revelava uma afetividade em destroços e num turbilhão de energias libidicas. Hoje em aproximadamente 500 frades 40 tem filhos que são mantidos pelo capital da Igreja. Destes outros muitos tem mulheres e vivem uma rotina subterrânea com as mesmas.

Outros vivem casos paralelos com companheiros e amigos. E destes muitos já morreram em cenários de filme policial, num hotel de periferia com meia calça enrolada no pescoço e a família preparando festa de bodas de ouro de ordenação, isto tudo quando souberam que o tio era amante de um menino de 16 anos (o mesmo que o matou). A santidade é um depósito de expectativas sem lógica ou equação real. Aprendi nesta experiência da igreja que o que imaginamos dos outros nada mais é do que ficção desnecessária de nossas expectativas platônicas. Porém, neste campo de afetividade e de dimensão sexual a resposta para um caminho de liberdade ou pelo menos de sinceridade não existe.

I CONFISSÃO?

Fui frade franciscano e durante 15 anos educado e formado pelas mentes e propósitos destes homens. Na vida que tenho pensei em nunca confessar este tipo de informação, mas tenho necessidade de expor de maneira direta e espontânea uma denúncia construída pela vida que levei e sei que todos ainda levam lá dentro, daquele universo social, cultural e até financeiro paralelo ao mundo da sociedade como um todo. Toda instituição deste porte tem valores, constituições, hábitos por eles mesmos. Aqui faço um parêntese de que mesmo em época de crise ou inflação a igreja sempre comemora lucros e estabilidade, pois a lógica deste grupo é sempre contrária, se falta dinheiro, o “povo de deus” deposita e investe na prece e na tentativa de milagre. Alguém já abriu os cofres das igrejas de Sto. Antônio ou do inventado Sto. Expedito? (Ou melhor, todo santo é inventado pela estratégia de comoção e ilusória ética e moral). Imaginem um dinheiro em miúdos de todas as cores e gentes (percebe-se pelo cheiro e valor) em montanhas e montanhas numa mesa velha de madeira, num quarto escuro do convento. Bem, mas isto é um detalhe sem contundência para o que segue.

Real inUtiLidaDe

Vida, morte, alienação, perda de tempo. Estas palavras sempre rondam as palavras e os discursos dos filósofos ou qualquer um que se utiliza da “logia” (lógica) de alguma ciência. Mas porque estes temas são considerados importantes? Na natureza etimológica e hermenêutica das palavras residem verdades que construímos com as mãos de nossa imaginação. Não sabemos diferenciar mais o que é invenção e o que é uma descoberta. Mas na verdade tudo paira na inutilidade dos conceitos e no vazio da percepção.


Mas o que é a vida? Um momento transitório que nos conduzirá a um lugar melhor, sem dor e cheiro, em que estaremos misturados com algo que seja tão etéreo que será eterno, porque não ex-sistere (fora do ser que se faz a cada instante)? Há quem diga que vivemos alienados, ou melhor em processo de alienação. Alienação seriam coisas que miramos para distrair nosso destinar fatal ou mais “nobre” daquilo que se atreve a viver.

Ontem assisti a um jogo de futebol, uma mobilização de gente, atravessadas por um sentimento de luta, paixão e desespero. Mas o que há de realidade nisso tudo? Porque as pessoas se deixam nutrir por um devaneio tolo e irreal? Esta não é uma questão que construo aqui, mas que herdo de muitas reflexões e de muitos conceitos “formados” em algum contexto. O que é a alienação? Existirá um contraponto frente a este conceito? Como vive um des-alienado? Com o conceito de “Jesus” na mente e no carro? Ou um militante político enrolado de perspectivas tantas, que o conduzem as suas próprias conclusões? Qual a diferença entre um porco e uma juiz? Entre um sapo e um padre? Entre uma cadela e uma mulher? Longe das ofensas, abuso nas citações para despir estes conceitos tão entranhados na nossa idéia que parece que realmente eles existem na equação da realidade.

A vida é a soma de coisas inúteis tristes, leves ou divertidas. Um jogo pode ser abundância de um momento que não volta, mas que é vivido de extrema sensibilidade e importância. Um fato simples, corriqueiro, ou socialmente massificado, expele emoções e percepções que não são tolas ou sem sentido, existe uma intencionalidade e um encontro vital.

A vida se faz nestes momentos, em fatos e coisas que nos conduzem para a e pele e o sentimento. Nisto nos fazemos e somos. Longe disso existe um moralismos e uma abstrata compreensão e sensação do que seja a vida. A vida é uma partida de futebol, um churrasco chato, um olhar perdido pela janela. Nada mais e nem menos. Somente isto.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lírica urbana

Aprendi a olhar não mais para o que as paisagens verdes me diziam. Busco agora o concreto esfumaçado e pichado da cidade. Quantas coisas estão entulhadas nos cantos dos becos. Isto não é reflexão sociológica, mas sim existencial. Somos feitos das ruas que pisamos e das agendas impostas pela mecânica urbana. Cada vez mais observo o barulho das madrugadas e o sussurro dos loucos que embebedam as fachadas das lojas e urinam nos quatro cantos das esquinas. O que diremos de nosso futuro? A morte tem algum impacto frente a tudo isto? Ou já morremos de nós mesmos? A lida de um vigia, não é mais séria que a fadiga de um matador no sertão do nordeste. A mesma perna que baila no chão de um nortista é o que inventa o ritmo na Lapa renovada. Quanta gente e quanta coisa inventaram para abrigar nossa mente de mentiras tantas, que desfocam um objetivo para encarnar outros, que estão escondidos à sete chaves nas gavetas do inconciente, para nós grupo de gente que vive para trabalhar, do mundo empresarial. Toca o sino da escola, ou será da cadeia pública? Hoje não se disitngue o que é ensino e o que é repressão, punição. As fachadas das casas são as mesas fachadas de antigos escritórios de contabilidade, sem criatividade, subjetividade e pouco espaço. Não há vestígio de campos improvisados, ou ruas como extensão de um parque de diversão imaginária, mas real, rotineira. Na cidade parece que não há mais crianças, transformou-se em um mundo institucionalizado, como uma prisão, hospício ou uma repartição pública. Não há espaço para a individualidade ou a invenção, pois tudo esta catalogado ou vendido. A cidade é um solo privado, por milhares de seres e grupos, que se intitulam "líderes de negócios" ou assalariados, todos vacinados pela mesmice crassa do existir pelo existir, ou melhor, do produzir-consumir-produzir. Quando este ciclo, movimento, processo falece é por que não há vida, aniquilamente social, morte moral e obviamente morte clínica, deixou-de-existir. Não há hospital ou medicina para isto. A exclusão e a marginalidade social surge deste processo. Ao passar pelo viaduto do chá, em São Paulo, sobressai de um prédio a irreverência vital de dois artistas gêmeos, que pintam na rotina o sabor de seu desejo e vontade, arrotando a todos os transeuntes frenéticos e devedores de trabalho, um momento de delírio lírico e de saúde física, psiquica, religiosa, cultural e social. Nem tudo está tão estranho e complexo de quase enlouquecer a gente, há vida nas mãos e na possibilidade de outros, que se fazem na inteligência de sua vivência imediata e criativa. O que chamamos de "saúde" aqui é a equação entre tempo, ócio, desejo, invenção e liberdade, esta é a visão de um novo capital, ou melhor, de uma nova existência neste cenário de tragédias e mortes cotidianas, por mais que não existam velórios e funerais. Decretar este estado de morte é o primeiro passo para que dos restos corpóreos do que hoje chamamos cidade (partícula do que é a sociedade)  façamos adubo para um novo estado de vida, em que o eu é a soma infindável da liberdade criadora.




sábado, 26 de março de 2011

Ser um humano


O que é o ser humano? Depois de tanto ouvir e ler tratados e reflexões a respeito, nenhuma afirmação foi tão certeira/real quanto a que vivenciei ao passar alguns dias nos campos dos andes. O Ser humano nasce para degustar comidas e trabalhar para disfarçar os seus dias numa utilidade que lhe traga sustento. O resto é vaidade, imaginação. estado de alienação. Nem mais e nem menos, é isto.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Humano, uma patologia essencial


O ser humano sofre mais pelos seus atos e pelos atos dos outros do que com a vida em si (copórea e ambiental). Somos mais as relações com os outros, que a própria materialidade da existência. A vida é um complexo psiquico instável e egoísta que transpassa por todos os afazeres e contextos. Hoje os ambientes de trabalho coletivo, empresas, organizações e outros, são reflexos deste estado de patologia!

Andrógena realidade


O que é o capital se não a metrificação das coisas e da relação a partir do resultado do consumo, logo, do lucro em espécie. É incrível que muitas cidades não têm razão de existir por si mesma, ou seja, pela sua capacidade de existir enquanto sociedade em seus mais puros intuitos de relação uns com os outros e trocas espontâneas e necessárias. Porém, pelo contrário, existe uma incógnita que ronda a razão de tal existência autêntica.

As cidades banham-se de uma sujeira de coisas, se transformaram em sucatas de um aparelho que suga até o último momento a naturalidade, a natureza mais primária, do ser humano e do resto da “comunidade de vida”. Existe um “OUTRO” invisível que rege as vidas e suas rotinas. Nos países mais próspero no que se refere a mercado financeiro, é exuberante as luzes, fumaças, lojas gigantescas, monumentos do poder consumir. Já nos submundos existe também uma explicitação de tal poderio, porém, de maneira desorganização, sem limite e sem o polimento necessário de um capital de giro. Mas neste ultimo caso é mais triste, loucamente estas pessoas tentam alcançar um objeto que nem eles sabem ao certo o que é. Transformam comunidades em lixo do consumo, com produtos coloridos, desajeitados, inúteis frente a paisagem cultura e natural de seu território.

As cidades se transformaram em amontoados de pessoas que tentam sobreviver e serem vistas. A essência da existência está na capacidade de criar e ser reconhecido. Os entorpecidos nos becos são egos estourados e incapazes de lidar com tamanha missão de sustentabilidade de um status quo, alienante, ou melhor, quero sem saber por que quero! È engraçado que existam poucos ou quase nada de estudos sobre a inutilidade das grandes cidades. Obvio que este discurso e perspectiva analítica não deve ser explorada, pois a inutilidade é a peça do utilitarismo capitalista. Você existe por consumir, ou melhor, você existe para consumir. As pessoas trabalham, caminham e pelo caminho não há o silêncio das flores e florestas ou abismos, mas sim, há o diálogo incessante das vitrines. Em casa você não tem direito de apenas respirar ou apenas ver o horizonte, de fronte a sua casa tem um outdoor e na pele de seus horários ociosos a tela mono-cultural da tv.

Enfim, as cidades são como uma realidade andrógena daquilo que um dia foi a revelação de uma vida, construída no ritmo e na aparência de sua máxima realidade. Não acredito mais no principio do “bom selvagem”, mas há de se denunciar a esquizofrênica mania de construirmos e vivermos em cidades, que é o símbolo da alienação matriarcal do capitalismo, ou seja, homens fortes manipulam e depositam interesses frente a infinitas vidas sem voz e com muita distração. Neste exato momento passa defronte ao escritório em que trabalho das 8h às 21h(dependendo dos grandes assuntos), uma senhora curvada, com os pés pretos de algo que seja sujeira de carros ou algo parecido, rumo as dezenas de sacos de lixo, com algum material reciclado. Aqui vejo homem engravatado estacionando o carro numa garagem que lhe cobra (15% de seu salário metricamente suado). Desligo o computador, pois preciso descansar amanhã preciso chegar cedo, por isso preciso descansar, haja visto que o trânsito está congestionado no meu trajeto.





Wari, um povo nação



Ontem tive a oportunidade de conhecer a cidade, ainda não desvelada totalmente, do povo Wari, os que antecederam a tão cultura Inca.

Um povo de uma geografia urbana e democrática, com um refinado talento para o talhamento de pedras, modelagem de cerâmicas e de artefatos em metal e prata.

Porém, o que sobrou deste fenômeno humano foram restos de pedras e destroços de cerâmica espalhados por todo um sítio arqueológico. A história explica e revela esta parte que muito se desconhece principalmente em terras estrangeiras, que justificam o espírito de luta e apaixonado deste povo de pele morena e de mãos hábeis para as coisas das terras.

Quantas culturas foram esmagadas e aniquiladas pela coroa espanhola? É admirável e revelador que existiam técnicas invejáveis de hidráulica e de construções avançadíssimas. Sem contar com a riqueza histórica e lendária concebido nos vales, montes e planícies que se configuravam em pequenos aglomerados de gente e de cultura, verdadeiros poços de conhecimento feito em técnica e crença. Tudo isto foi enterrado e diluído e evaporado junto com o sangue desta gente.

Tudo isto, um capítulo desconhecido por grande parte da humanidade, principalmente aquelas que choram por suas colonização. No caso do Brasil, somos parte de uma América, mas não das dores da colonização espanhola, isto faz com que se tenha uma certa distância e desconhecimento desta vitalidade histórica. Só se sente parte quando sofre e conhece junto, isto é companheirismo, “comer juntos” (con panis).

Ao andar e vasculhar estes lugares não se encontra apenas ruínas e pedras, que um dia formaram parte de um mosaico de um povo, mas sim encontra vestígios de uma história de lutas e opressões que valeram a própria vida desta gente. Se nós nos depararmos com este cenário histórico entendemos e muito de qual América estamos falando e ainda vivemos. Hoje esta gente representa o exílio, e a marcha em pobreza e derivação de um processo de morte e de escárnio. Além, disso depois da revolta de Ayacucho, em que o povo, coronéis e soldados lutaram de maneira desfavorecida contra o exército espanhol, em que o povo local foi à luta com pedra e paus, e assim, venceram a tão histórica batalha, o Peru teve que pagar à coroa espanhola muita riqueza, pelo “capital” de conhecimento que eles haviam deixado (segundo versão do colonizador). Bem este foi o acordo sugerido da Espanha para deixar em “paz”, sem a pretensão de poder e de subjugação, esta nação.

Duas estranhas situações rondam esta história:

A primeira, é que a Independência da América se deu pelas mãos dos campesinos, com sua força, coragem e simplicidade. Este é o lado heróico e emblemático para o engrandecimento deste povo.

A segunda situação estranha, foi o fato da coroa exigir bens em troca da retirada de suas tropas e estratégias, com a justificativa que seria um prejuízo inigualável tal atitude. Mas que riqueza eles deixaram? Este povo lhes ensinou diversas técnicas e além do mais foram exterminados culturalmente e corporalmente de seus contextos. Obviamente, que esta é a parte irônica revoltosa para uma análise nos nossos tempos.

Enfim, parte de um história que quero contar para os meus filhos e inseri-los neste contexto, para que um dia tenham coragem de levantar-se e argumentar contra tantas barbáries de opressão e arrogantismos culturais de pessoas que destroem para construírem seus egos, banhados de uma psicótica crença. Salve o povo Wari e suas almas tecnológicas, lendas, religiosas, históricos, que desta terra brote vida, para estas vidas que sobraram e tentam sobreviver, com o resto que sobrou em feridas sociais, culturais e psíquicas. Termino, com uma frase solta e que diz por si mesma, sem excesso de palavras: A doença social, estigmatiza e molda a psique e o corpo, como uma artista da pobreza e falência em todas as dimensões.

Não faço aqui ufanismo, sei das leis e contradições também deste povo, mas nada é mais opressor do que amputar um povo a sua liberdade de ser e de fazer a sua história.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Romântica história
em nome da história inigualável do povo andino




























Estou aqui com as mãos vazias de um toque sereno e mestiço
Descobrir na pele de uma latina a veste de uma história esquecida
Beijar não um lábio, mas sim um povo que resistiu o limiar de uma opressão

Contorno simples e de olhar forte e sereno como um vento de inverno
O corpo se espraia entre uma montanha e uma pedra delicada e gelada
Cabelos de cor da noite e pés feitos de detalhes que desconheço

No ventre a virgindade do prazer e apenas o sorriso da sobrevivência
As vestes retratam a harmonia entre o natural esquecido e o feito colonizado
Nos adornos a alienação da terra de seus antepassados e da técnica de seus irmãos

Comportamento de entrega, feito servidão e respeito, diálogo despojado
Na coluna a tentativa de ereção, sem fraquejar no salto escolhido, mas não reparado
Uma febre invade os poros e um odor longínquo e amargo retrata uma energia milenar

Enfim, na estética de uma mulher andina desvenda-se um templo de situações
O romantismo é a lupa da realidade física e histórica, pois invade outros cenários
Somos a relação com as coisas e cada coisa tem um estado de gravidade “irreal”

Os fatos, as situações, as relações são instantes de sacramentalização
O andarilho torna-se a injustiça social, a menina, a bela colonizada sem igual
Neste passo de suor e reverência surge a idéia histórica que transcende a fatalidade




OBS. Sobre a imagem selecionada: a "teta assustada" é um folclore existente no Peru, que atinge as mulheres estupradas durante a guerra do terrorismo. Seus filhos absorvem a doença através do leite materno, ficando sem alma. É o que ocorre com Fausta, portagonista de um filme lançado em 2009, com o mesmo tema do folclore.

domingo, 20 de março de 2011

você viu?


Cheguei em Yacucho, que significa “Rincão dos Mortos”, uma cidade que já ouso traduzi-la:

Do alto mais parece destroços de um antigo povoado dos incas. Casas com cor de barro, ruas mais parecem um canteiro no meio de um pasto. Não existe possibilidade para uma harmonia urbana, pois tudo é uma mistura de pó(quando o sol aparece) e barro (quando cai a chuva). A cidade está há 4 dias sem água, pois pelo excesso de chuva caiu barreiras e barragens foram destruídas. O governo não tem capacidade de gerenciar esta situação. Há vacas e ovelhas pelos lotes onde não foram construídas casas e estabelecimento casa. Cada cm dos bairros e centros é um “puxadinho”, sem possibilidade de uma calçada, pois parece que as pessoas não têm tempo de pensar e realizar detalhes, pois necessitam sobreviver, tentar ganhar o pão e acolher os filhos num teto que seja apenas quente. Aqui existe uma espécie de táxi para no máximo duas pessoas, uma baratinha com motor de moto, com dois pneus traseiros minúsculos e um pneu na dianteira, com um guidão. Enfim, isto é um pouco do que vi hoje pelo dia na cidade de Yacucho, que mais parece uma invasão do que realmente uma cidade. Contam os moradores que esta região nunca foi considerada parte do Peru. Achavam que aqui era um lugar de bandidos e selvagens. Há pouco tempo a cidade conquistou um reconhecimento enquanto cidade e enquanto gente!

A cidade carrega estas características pois as pessoas são totalmente excluídas de qualquer processo de dignidade. A cidade é reflexo das histórias e do olhar de seus moradores. A cidade é a extensão do corpo dos cidadãos.

A cidade conta com apenas 1 hospital, não existe uma outra fonte de renda a não ser comércio, serviço publico, ou bolsas governamentais (mulheres trabalhando de forma braçal em obras públicas). E o mais alarmante foi descobrir a história passada deste povo. Por 20 anos existiram na região 3 grupos de terroristas/ revolucionários: Governo (com seu exército), matavam os rebeldes “marxistas” ou qualquer tipo de líder que pudesse expressar uma possibilidade de socialismo ou coisa do gênero. Outro grupo era liderado por um dissidente do exército local, que formou um grupo forte que também matava as pessoas das comunidades com o objetivo de conter as revoltas e insatisfações do povo. E por fim um grupo de revolucionários armados que matavam e torturavam pessoas a qualquer ora do dia e em qualquer espaço. Uma verdadeira carnificina. Por isso, um povo carregado de histórias inimagináveis. Pais esfolados até morrer na frente dos filhos, filhos decapitados e tantas e tantas histórias. Cada morador tem uma história de morte e de crueldade assistida. Dizem que não tinham como enterrar os corpos pela quantidade encontrados nas ruas. Mas uma história chamou atenção, uma comunidade inteira foi dizimada com a seguinte situação. Chegou o capitão do exército e disse que o governo iria construir um grande lago para abastecimento daquele povo, que na sua maioria não falavam espanhol, mas sim, kechua (língua hoje tb oficial), a maioria das comunidades rurais só falavam este idioma, pediram então que abrissem um grande buraco. Em seguida, depois de muitas semanas de trabalho desta gente, os soldados mataram a todos, desde idosos e crianças, mais de 30 pessoas foram mortos e enterradas neste lugar. Hoje ainda existe um movimento de justiça pelos desaparecidos e mortos nesta época, expõem roupas encontradas em diversos lugares. Esta situação foi encerrada nos anos de 94 e 95. Estima-se que mais de 120 mil pessoas foram exterminadas. Este quadro de mortes e do descuido de uma cidade que não é uma cidade, mas sim um reduto de sobreviventes de algo que um dia chamaram de povo, é reflexo de governos corruptos passados e presentes. Todos os governos dos últimos anos foram e estão presos por grandes desvios de dinheiro e de bens públicos.

Ontem conheci rapidamente a parte histórica da cidade, que é resultado da falta tb de investimento publico e uma visão empreendedora, e imaginem quase todas as casas são de 1490. Existem mais de 33 igrejas neste pedaço da cidade e cada uma com sua história singular. O que mais impressiona é que os espanhóis eram mesmo inigualáveis no quisito maldade, uma das igrejas centrais a mais escura e imponente de todas, tem duas torres, ambas serviam para amarram e pendurar os hereges até morrer. Reflexo da gandiosa e estúpida inquisição espanhola. Ao passar por estas ruas e este monumento de horrol dá arrepio e um mal indescritível.


Alguém saberia me explicar sobre esta história? Quantas existem nos cantos de nossos países e regiões? Acredito que Estado é o olhar coletivo da justiça. Nestes dias durmo com o peso esmagador da impotencialidade. Acreditar numa revolução ou transformação será base para que tipo de iniciativa? Existirá um plavra capaz de mobilizar ou uma arma capaz de aniquilar esta roda de massacre e sofrimento imposto as pessoas e engendradas em nós? Quem é o ditador, o ladrão, o salvador, o responsável pelo que é e existe? Onde estará o fio que tece esta realidade?

andes do mundo
















Ontem comi numa mesa de crianças sem pai, mãe ou quem lhes cuide
Meninas e meninos com olhares baixos de tanta dor e cruéis histórias
Corpos marcados de cicatrizes, mãos fortes pela idade que registram

Ali tinha uma menina quase bicho, misturado com a meiguice da infância
Outro menino com o dorso feito agricultor e testa em sol feito operário
Não sei explicar o sentimento e a percepção que obtive naquele momento

Vontade de curar as feridas observadas e as invisíveis tocá-las feito médico
Quanta coisa acontece sem que nos depararemos em nossa rotina tão nossa
Quantos abraços esperam da gente e cuidados em idéias e ações semear

O planeta está banhado por lógicas mortais, não da natureza, mas do que fizeram dela
Somos capazes de construir casas, ruas e edifícios e nem pensamos qual a melhor escolha
Fazemos coisas desnecessárias como autômatos, enquanto isto a vida está ali em movimento perverso

A vida está parada, observando feito animal ferido em jaula sem porta
No leito dos dias crianças são esmagadas e adultos são enterrados abruptamente
A maldade é aquilo que fere e mata, nada mais, a mesma mão que planta, destrói

Donde vem a matemática das desigualdades e dos sofrimentos?
Quem inventou as doenças psicológicas e a dores inexplicáveis sem ferida?
Ou pensemos, ou não sobreviveremos aquilo que nossos vizinhos e parentes nos destinaram

Somos um povo de tantas línguas e trejeitos que soma sempre estranhamento
Contornos de culturas e de histórias e de equívocos consensos ou ditaduras
A América é diferente da Ásia, mas ambos sofrem e sobrevivem

Queria saber pintar e classificar os comportamentos e assim dizer o conto universal
Mas somos inúteis no que se compete à memória integral
Cantamos, escrevemos e gritamos, mas tudo é apenas uma palavra seca e estéril

Na montanha em pedras de uma cidade andina vejo camponês a caminhar devagar
Na rua de frente à loja, menina joga lixo na grama de um destruído jardim público
Cachorro late e vasculha os detrimentos do que foi uma refeição da festa de criança bastada



sábado, 19 de março de 2011

Num pais latino


Num país distante de periferia
Em que gente é mal da historia
O homem patrão comeu a criança
E o táxi serve de motel

Nas ruas poeiras sem estrada
Caminho certeiro para o nada
Casas amontoadas apresessadas
Viver è uma questão desigual

Na cara do velho a resistência
No peito da virgem uma doença
Menino bandido é artista
Prostituição é questão salarial

Nas praças quebradas, sem vilas
No monte fedido de um lixo
O carro destroça a saudade
No céu escurece o tal sol

Quem dirá para ela que esta vida
Não tem futuro e saída
Somente um buraco de viver
No semáforo sem trafego e sem pilha

Mãe pariu mais uma historia
Sem letra ou rima que atraía
No valo da fossa de uma vagina
Mulher descobre a desgraçada melancolia

Todo pobre que vive sem lida
Distraí sua anima na ferida
Costura a dor na saliva
E diz sem dizer o que é

Santas tantas coisas não ditas
São tantas caricias distraídas
Que a mão está caída
Numa tolice sem igual

Quero gritar com um sentido
Lambuzar-me do sangue contido
Estremecer o meu punho metido
Numa brigada eterna sem conquista



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Princípio Ético

Ontem num boteco da Vila Madalena tive um momento de cosnciência lúcida, perante uns goles de cerveja:

Sintese do princípio ético:

"Não seja apenas bom seja muito mal." - entendeu? sem mais e nem menos, é isto!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Morte Cotidiana



Não somos máquinas nem objetos de uma funcionalidade que é ativada em qualquer momento, tempo e espaço.



Hoje não temos tempo para vagabundear e nem para dormir.


Somos engendrados num ritmo mecanicista em que o resultado é a produção de qualquer produto.


Não compram as coisas que fazemos, mas compram nossa vida e história.


Quando terei tempo para ociar um poema e um acorde no meu violão?


Há meses meu corpo pede silêncio e minha mente anseia por pensamentos vagos sobre a minha origem e o meu findar. Mas a agenda está lotada, sem brechas para acasos e prazeres.


Aqui neste momento de emprego e de sociedade, morre aquilo que sou: gente sem identidade, sem número, sem preço, sem função, enfim, um ser vivo para viver e buscar aquilo que já vivencei e que chmam de vida. Esta tão escassa e esmagada pelos fios, ferros e números de nossa tecno-materialista época. Morrerei rico, ou ressuscitarei pobre? A utilidade suga sua capacidade inutil de pensar e ser.

Eis a questão posta e querida em resultados ao longo dos dias e anos que me sobram.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

DEUS NÃO EXISTE!


“Deus não existe!” Esta frase não tem cunho meramente especulativo ou de ordem reflexiva sociológica. Mas sim, é uma afirmação simples, despida de qualquer pretensão de ofensa e revolta com aqueles que se intitulam crentes em algo ou alguém. “Deus não existe!” é uma verdade ontológica. O conceito de “Deus” é a projeção daquilo que esperamos em nossa vida ou seja, daquilo que nos falta. Deus por ele mesmo não existe, mas sim, é uma criação da história e da experiência humana na sua dolce, trágica vida. Deus é o resumo das nossas intencionais perspectivas e ou frustrações. Por isso, se queres conhecer uma pessoa conheça o seu Deus. Quando alguém verbaliza a sua “experiência” de Deus, nada mais está do que  materializando em um símbolo literário e plástico a sua experiência de vida, logo, a sua própria história. Neste sentido, o ente "Deus" passa de uma categoria transcende, absoluto e enigmático, para um elemento imanente e fenomenológico. Deus não existe! O que existe são variações simbólicas e projetadas pelos seres humanos. As pessoas têm necessidade de estender suas dores, suas realizações, seus medos e anseios, num campo ou num objeto que não sejam elas mesmas, mas sim, algo que seja intocável e inatingível. O caminho da sabedoria está na solidão e na capacidade de despojamento e simplicidade. Assumir a vida sem o manto mágico da imaginação abstrata e sem o barulho dos tratados humanos é organizar a vida para um destino autêntico e imanentemente saudável. Deus não existindo, permite a consciência humana de explorar suas possibilidades e destinar.

A baboseira religiosa continua


Religião a grande burrice e idiotice humana que se perpetua sem margens de esforços para a sua extinção. Quando o ser humano será capaz de olhar para si e observar os erros que comete intelectualmente e perceptivelmente sobre a natureza da vida, engendrada pelo viéis das "religiões"?

Ontem fui ao velório de minha tia e chorei não pela sua morte, mas pela ignorância pelas quais os seres humanos se expõem. Rituais, palavras repetidas, conceitos tão abstratos que não deveriam existir, pois não há sentido nem contorno de realidade, afogam a gente de barulho e de sons sem significado ou sentido. O padre falava como se soubesse da dor dos familiares e amigos do ente que estava morto. Tudo flactus vocis, e eu necessitava de silêncio. Nem no momento da morte nos deixam pensar na tragédia da vida. Não quero conclusões, quero silêncios banhados de perguntas e questões que surjam dos meus olhos e não de respostas e conclusões surreais, prontas e decoradas na boca de um homem intelectualmente fragilizado e sem a capacidade especulativa tão própria da existência humana.

O que mais me surpreende é que as pessoas (individualmente e coletivamente) perderam a capacidade de questionar e de interrogar: “O que é vida eterna?”, “O que é o amor?” “A vida é uma passagem, pra onde?”, “'Vida', 'sofrimento' e 'céu' que conceitos são estes? Como concebê-los no calor e frio da existência?” Estas e outras óbvias perguntas nem são cogitadas perante momentos como estes, que são orquestrados por pessoas tão fracas, ignorantes, esquizofrências. A conclusão é: Mentes inferiores manipulam mentes sem a disposição da interrogação. No meio chamado “religioso” é tudo tão absurdo e mentiroso que tenho vergonha de dizer que um dia participei de qualquer meio, momento e ritual deste gênero. Terei vergonha de meu filho e as próximas gerações. Na época em que vivemos é o grande estado de alienação e doença isto que chamam de "religião", espaço de interssantes tantos, de manipulações e de falta de pensamento, no bom e correto sentido. Pensar é arte pela qual hoje os seres humanos não são mais educados. Com apenas uma gota de consciência perceberemos o quão contraditórios e ridículos nos portamos e perdemos o tempo inadiável de nossas vidas, tão isto e tão desconhecida.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Estava eu caminhando e descobri de frente para um mercado um menino espreguiçado feito fruta podre no chão. Estava magro e parecia estar em outro lugar menos numa rua de uma cidade. A história deste menino não ouso imaginar. Mas estava ali. Alguns olhares miravam, outros paravam. Eu passei com meu carro e logo fugi daquela cena. Assim confesso a minha covardia de não tê-lo abordado e levado para algum lugar limpo, seguro e que pudesse ouvi-lo. Hoje os grandes centros são celeiros de coisas que não entendemos nem queremos entender. A verdade é que um maço de papéis custa empiricamente conforto e consumo. Não falo um discurso socialista ou éter de marxismo. Falo do cheiro e dos pés cansados dos andarilhos e dos doidos mendigos. Eu aqui perdido em compromissos de agendas que me fizeram. Enquanto isto deita na consciência de que um dia terei que morrer e estarei desencarnado da possibilidade do fazer. Atualmente faço e pratico tantas coisas como se fosse um ator sem brilho ou sem protagonismo numa cena. Até mesmo eu que assisto e atua cansei e não vejo motivo de fazê-lo. O que é a vida? Como admirá-la ou refazê-la a cada esquina, letra e pensamento? Tanta confusão que atravessa os olhos e mergulha o sentimento em tensão e tesão infinito. Somos educados ao incansável procurar, como o movimento de uma relação sexual (engoliu ou aprisionar o outro dentro de um órgão), mas a impossibilidade é ontológica e isto sabemos, mas não podemos sê-lo em neurônio, pele e osso. A cidade é uma matemática de fugas e irrealidades que nos predispomos a não pensarmos e nem agirmos. Somos a morte do índio e o arroto de indústrias, criadas para ao acumulo monstruoso de alguns mercenários e canibais de vidas tantas. Há tantas coisas para se meditar e tantos remédios a jogar fora. Tantas loucuras a entender e tantos normais e endoidecer. O relógio da Igreja bateu mais um padre comendo e um pastor limpando o ambão. Enquanto isto um ar condicionado é ajustado mais forte de fronte para a um menino perdido em si e esquecido pelos outros no degrau de uma padaria freqüentado por senhoras prostitutas, sujas, feias e muito pobres. Lá fora cheira álcool, aqui dentro é conhecido mais um grupo de pop rock, com baladas de amor e romance. Existem palavras que entorpecem e outras que deveriam trazer vida ou ressurreição, mas fazem parte de uma gramática, nada mais e nem menos, apenas um delírio e um elo de esquecimento daquilo que os olhos vêem, as mãos tocam e o nariz sente.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bebível existência

Durante muito tempo tentei inventar versos
Descobri que a palavra está do outro lado
Como um ermitão ao som de uma mata fria

Queria paixões e estava viúvo
As vezes a mente quer algo que o corpo mentiu
Mas estou aqui, sem grandes verbos e ritmos

Talvez a gente se esquece de nós
Como homem bêbado na segunda-feira
Perdido, sumido, encontrado pela miséria

Não somos tão quanto imaginávamos
Somos pouco e metrificados em pó
Detalhe de metáfora e metafísica

Hoje sobra-me alguns contornos gramaticais
Amanhã talvez acorde com vontade de dizer
Ontem já foi e o agora afoga-me em nada

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Útero podre


Há quem acredita que família é um espaço frutífero, ou seja, um lugar que produz algo que alimenta e nutre, gera valores e propicia desenvolvimento. Porém, observe o que acontece em sua casa de origem, na vizinha e no seu parente mais longe ou do seu companheiro de trabalho. É tudo a mesma coisa, ou seja, gente com problemas, caçando história na história indecifrável do outro. Um querendo roubar o espaço ou a voz do outro. O que acontece neste círculo de vícios e intrigas? Não sei. Uma conclusão se concretiza nestas experiências e de tantos relatos, o ser humano foi feito para construir a sua história processualmente, gradualmente. Vai desvendando o seu próprio destino e suas próprias escolhas. Qual pai deposita total confiança nas decisões do filho? Qual filha aceita sem frustrações a cor de tinta da casa dos pais? Cada ser tem sua história, sua interpretação e suas decisões. As decisões de meus avós não traduzem meus anseios e expectativas. È imprescindível desmistificar este corpo sagrado chamado “família”. Família é para momentos e não para rotina. Quando se transforma em rotina transforma-se em doença. Um filho de uma casa se não emancipado torna-se idoso sem idade, ou melhor, o novo passa a ser velho em pés de morte. Não falo aqui de fuga dos conflitos as entre gerações, mas de um fluxo ontológico. Somos feitos para partir e buscar a nossa pegada, sem marcas ou sem grandes interpretações. Aqueles que não rompem com este elo de origem, estão fadados a enlouquecer ou geometrificar-se numa induzida patologia. Viver em família é uma doença. Deveremos ser estrangeiro de nossas camas de nascimento, pois os universos são distintos e cada é convocado a traçar os seus próprios erros e certezas. Errar é humano permanecer no erro é viver em família. Há aqueles que não desagarraram do cordão umbilical, não pariram para sua história. A estes sobre a podridão de um útreo desmtarializado e aprofundado e concretado pelo inconsciente.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

além do horizonte


Estava deletando os meus e-mails achei este pequeno texto escrito em outubro do ano passado, enquanto viajava de Porto Alegre a Recife...

Em um vôo sob os Brasis, parei para pensar na minha vida. Tenho uma conta salário boa para o gasto confortável de minha barulhenta e desorganizada rotina urbana, mas sou empregado sem causa. No trabalho vivo na tentativa democrática do fazer. Porém, o que sobra são os poderes encastelados e ministeriados de muitos. Olho para baixo e vejo terras, contornos diversos. Perco-me a pensar nas matas e na possibilidade minúscula e utópica de esconder-me, revelado para a natureza e escondido para a civilização, num canto de sossego verde e biodiversificado e com medo de trovões. Hoje queria descobrir uma fórmula de vida sem sombras e nem dobras. Tenho que dividir meus pensamentos entre o relógio do trabalho e minha vida esperada, desejada, atemporal. Vivo para as coisas e por elas exigo de mim pensamento, suor e tempo. Estou chegando aos meus 30 anos e o Plano Estratégico, assim o chamam, deste trabalho vai até os próximos seis anos. Confundo-me com agendas e reuniões, meus pensamentos são abstrações de resoluções inúteis. Toda Organização, exige mentes e pernas manipuláveis. Uma vida esticada pela funcionalidade de uma trabalho, assim sinto-me. Será vida, ou algo nomeado, que se assemelha confusamente e enganosamente com a morte. Hoje um conhecido falou comigo por telefone e depois de um longo período retalhou de forma sincera e amiga: "O que aconteceu com vc? Está com as palavras secas e frias, como diálogo de domingo, flagrado pelo olhar televisionado de um canal popular ou declamado num sofá com um copo de chopp morno pela mão que o segura". Pensei em criar um ditado: copo quente, cabeça distraída em si mesma. Será que engoli a vida ou fui engolido por ela, ou melhor, uma parte dela.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sei mais do outro que de mim mesmo

Escuto falarem e também falo de outros como se fossem sempre pessoas a serem comentadas e melhoradas pelas julgadas orientações armazenadas na mente e expelidas pela língua. Ao aproximar a nossa consciência da vida dos outros temos a tendência de maldizê-los com palavras conclusivas ou interpretações absolutistas. Já dizia o poeta-músico: "De perto todo mundo é estranho!" Não existe verdade ou verdades da história, cada frase(s) ou premissa(s) sempre será uma centelha de poeira, que muitas vezes cega os olhos e outras vezes torna-se motivo de camuflar a realidade. Mas é certo que esta poeira sempre incomoda, e perturba feito unha encravada. A ciência cria hipóteses e constrói a partir deste fundamento diversas realidades abstratas, mas todas “possíveis”. Nas ruas, casas e empresas as pessoas herdaram esta cultura e transferiram isto para o palco de suas relações. Sempre existiu o prazer inconsciente de uma fofoca, de um comentário ou de uma interpretação da(s) vida(s) alheia(s). Ao observarmos o passado identificaremos que grandes mentiras foram plantadas para se atingir um objetivo estratégico em X situação de guerra ou de conquista. Mas isto era uma tática consciente, manipulada. E o que dizer deste costume tanto devastador do “falar dos outros e de suas escolhas e posicionamentos”? O que rege esta voluntária e corriqueira atitude? Donde brota esta necessidade? Terá algum fundamento fenomenológico para o ser humano? O silêncio e a contemplação são elementos fundamentais para aqueles que querem descer do carrossel cotidiano do fazer e sentar-se na postura do ser mais autêntico e saudável, sem os doentes preconceitos ou arrogâncias do querer saber, sem saber. Imaginamos e cremos tautologicamente que sabemos do(s) outro(s). Mas quando falamos dos outros, fugimos de nós mesmos. Aquilo que se diz com certeza, se mente sem razão. O ser humano é isto: uma pista de corrida de diversas vidas, enquanto isto deixa o seu carro da existência enferrujar e estragar na curva de largada. O pior é que ninguém governa a vida de ninguém, mas se meter no volante do outro pode causar diversos tipos de acidentes, alguns fatais outros leves, mas danificadores. Calemos nossas bocas e governemos a nossas vidas, com o devido silêncio humilde (derivado de húmus), a oportuna palavra sempre aberta e o discurso não-dito.

sábado, 18 de dezembro de 2010

ante sala

Há tempos minhas idéias esfolam na mente e na pele sem perfurar a intenção querida. Diariamente produzo projetos, estratégias e outras coisas. Só esqueci de dar tempo ao nada e a capacidade de caminhar sem rumo. Neste sentido, não tenho mais o ritmo da ação do sujeito e da lógica literária da necessidade. Escrever para mim transformou-se em tentativa de fuga e de silêncio. Recordo-me do tempo do impulso da imaginação, mas sem saudade, ou remorso de ter perdido algo. As vezes a perda é mais um ganho, pois transpõe uma nova experiência condizente com sua atual condição e consciência. Talvez tenho concretado meus pés, ou melhor, caminhado não pelos bosques longínquos, mas pela calçada da periféria e despido meus olhos para cena real da vida em sociedade. Um elo entre o interesse salarial e a causa buscada, sempre parcialmente, pois não se sabe em que acreditar integralmente. Pois tudo transfomou-se em fumaça de uma hispotése e sala de espera de um lugar imaginado e confortável.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

queimar, um ato de ser


Putz! Acabei de sair de uma mesa inojada de falas tantas, donde surgiam conceitos como "marxismo", "igreja" e estas coisas tão faladas e ao mesmo tempo tão ocas pela capacidade do ser humano de divagar a sua mente para lugares onde os olhos não enxergam e as mãos nunca tocarão. A delicadeza é a capacidade sutil de pensar, sem pensar. Fernando Pessoa já dizia que "pensar é não viver", talvez este poeta deva ter mergulhado em ambientes assim tão estranhos e patológicos. Hoje não suporto, nem com esforço diplomático, escutar hipóteses e sermões. Escolho olhar para coisas simples, do metrô submerso na terra, a falta de vergonha dos políticos que a cada dia matam vidas e projeções de uma gente "bandificada" na rotina do trabalho de subsistência nas linhas definidas e públicas da cidade. Não quero livros e púlpitos de oradores, quero a palavra do colono e do taxista. Vago entre o silêncio dos adjetivos e substantivos ao barulho ensurdescedor das ruas da cidade. A vida feito em consciência é como vela determinada ao processo de morte. Só se ilumina com a possibilidade certeira do não existir. Velai! esta é a convocação. 

domingo, 12 de dezembro de 2010

verbo cidade

Aqui na cidade grande, o suor é parte do dia
Já o trabalho resume a fadiga
A rua é passagem de pneus

O prédio desliza concreto
O chão bebe esgoto
A chuva lava escadas

A escola escondi gente
Lá onde a criança não aprende
A igreja morre gritando

O marujo está no boteco
Samba sem rima e remédio
O analfabeto é um leitor

A senhora dormi de desgosto
na cabeceira um santo em dorso
O mar subiu e a florestra diminui

O sapo é raro de se ver
Vagalume quero ter
No fio o tênis balança

A letra serve pra dizer nada
A garaganta goteja saliva de fumaça
No placo mais um novo holofote

Papéis são lixo
depende do verbo que reciclo
Aqui faço ponto, encerro tentantiva

Há tempos não digo inspiração
Palavra inexistente é salvação
O punho soluça um instante de respiro

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Saudosa infância


Achei um momento para acariciar lembranças de seus lábios
Exilei-me no trabalho louco do compromisso sem rumo
Hoje, ontem e amanhã sou mais outros que eu mesmo

Na infância tenho a memória de campos e chuvas
O lambuzar dos pés na lama de um morro em terra e capim
O cheiro do rio marrom com pedras esverdeadas, saudade gelada

A menina da adolescência era magra, feia, mas esbelta e única
Na praça esperam meus amigos descabelados e suados pelo coro da bola
Hoje metade já morreram, mas cabem na certeza de um passado presente

Meus dedos sujos de laranja e poeira, inventavam brinquedos e armas
A lombriga armazena pedaços de desejos, leite e macarrão em frango
O forno quente de minha mãe e o fogão de lenha de minha vó convida

Amanhecer com frio nos pés e curiosidade no peito sempre em férias
Os olhos melados pela noite em sono de pedra, sem voz e idéia
Se fizesse um castelo já seria um contentamento por ele mesmo

A rua como porta de uma casa, sem noite e medo, apenas extensão do criar
Casas abandonadas garimpavam romances nem vividos de potenciais amantes
Altas árvores da praça e dos vizinhos eram a ponte da superação e reconhecimento

A dor de um machucado era motivo de cuidado e zelo
Na mesa do café um bocado de remédios em guloseimas
Na geladeira sobras de fartura e de abundante carinho armazenado

Doce imagem, nesta seca de palavras e de gente falando
busco o ermo de meus pés e os neuroneos de minha infância
As tintas estão guardadas e meu violino vendi para um bazar

Deste lado vejo e cheiro a vida em mortes tantas, que nem conto
No céu mergulha gotas de chuva, prestes a derramarem-se em choro
Aqui nesta sala vejo o que fui, sou, serei e deixarei de ser

Os olhos captam muito, mas a razão atrapalha a verdade tão simples e imediata
Hoje o tudo que representa para mim é o nada equacionado emanentemente pela vida
A infância é o início de um morrer misterioso e criador, que pari-nos a cada instante desapercebido

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

nada o que é


Hoje tive um sonho, nada extraordinário, nem tão comum. Foi um golpe leve e certeiro na consciência de meus olhos e o resto do que chamo corpo. Como uma aparição de sentido e orientação intelectual. Vi Buda, sentado na terra feito raiz em mergulho aos extratos mais simples e naturais da terra. Rindo e mexendo-se de maneira jocosa e jovial, leve como pena na fazenda e alegre feito minhoca na floresta. Estava lá, sem trabalho, sem compromisso, sem desconforto psicológico, mental, físico, sem a ambição de um lugar de prazer desejável. Como uma árvore simples, num horizonte e espaço de vista sem grandes expectativas. Sem cenário conhecido de apetrechos e adereços próprios do que chamamos civilização (tribal, rural e/ou urbana). Neste lance de imagens surgiu um contraponto espontâneo. Imaginei de maneira dialogal a vida que levo e hei de levar frente a tantas expectativas e crenças “rídiculos”, “minúsculas” ou “profundas” e “grandiosas”. Entramos numa lógica que neste sono-sonho se evidenciou. Este pensamento e a premissa que ora iniciou é sutil, pois é comida, razão e ar existencial de nossos dias, enfim, o contrário é morte de tudo que afirmamos como vida. Ontologicamente somos feitos de uma coisa que a história de tantos homens e mulheres nos construíram e edificaram o que somos e queremos ser hoje e amanhã. Herdamos um espírito, um corpo viciado e uma mentalidade que nos posiciona e nos lança em movimento de tantas descobertas e conquistas – porém, todas fora e longínquas do eixo e do alvo do que somos realmente. A morte-defunto dos outros nos vêem feito agressiva verdade, pensamos do que vale tudo que temos e somos feito perante a objetiva e modal nadicidade da morte. Na morte nem as palavras do pastor padre e guia servem para alguma coisa. O Deus que pintamos virtualisticamente em nossa rotina neste momento não existe e nem tem razão de existir. Nossas entranhas de certezas seca, sem fertilidade de imagens e motivações. Nesta experiência que não escolhemos e somos postos frente ao chão real do processo natural da existência somos feito silêncio e pó. No velório até pensamos e vivemos isso de maneira intensa e espontânea, mas depois enterramos junto as nossas dores e a nossa natural consciência. Voltamos para os assuntos e critério dos vivos. Somos feito de nada em meio há tantas coisas e absurdos que não imaginamos mais como um apêndice e uma roda de diversão. Somos formigas com peso de elefantes. Somos uma soma de expectativas de consumir matérias, idéias, sentimentos e tantas e tantas projeções, projetos e coisas do gênero social e político que vivemos. O próprio trabalho digno que levamos e confessamos a cada dia é uma razão alienada, manipulada. A causa que luto de consciência política também nada mais é que exagero de enganação de um estado de deficiência e corrupção de capitalismo (enquanto armazenamento e fome insaciável) e poder (status insatisfatório, infinito, inacabável). Parar no não-fazer, no não-pensar resultará numa consciência simples, estranha, tola, imbecil, inútil, vagabunda,  mas libertária. Sair do movimento cotidiano do social e relacional existente, nos lança para um nada criador e integrador. Jejuar frente a esta cena é focar naquilo que seremos sem escolha ou crença. A existência circular se codifica numa outra lógica, sem as premissas carnificadas por o que hoje imaginamos e conscientemente somos.

domingo, 12 de setembro de 2010

Utopia é a possibilidade inédita, enfim, o ineditável possível, o possível não-realizado!

R-evolução


Revolução é sinônimo de mudança da consciência massiva/ coletiva. Para chegarmos a esta esperada e necessária situação, teríamos que iniciar uma transformação mínuscula, contudo, decisiva do que realmente entendemos e construímos enquanto educação. Não falo aqui de educação formal ou não-formal e informal, mas sim, de possibilidade de conhecer a hsitória de nossas cicatrizadas dores e celulares esperanças. Aprendemos tantas coisas, porém, nada se transforma em alimento para vida e sentido-enstusiasmo para os nossos ontológicos calejados pés. Quem sabe linearmente o contexto de opressão em que o povo das terras amazônicas viveram? Quem ousaria descodificar imaginativamente a intenção dos atuais governos? Quem desvenda a razão do dado e inquestionável processo assalarial na sociedade? O que é sociedade e quem foi verdadeiramente Napoelão e este tal, divinzado, Jesus? Não falo de educação de professores, mas de diálogos domésticos entre pais e filhos, entre jornaleiro e gari. A educação é um processo de criação e de retorno aquilo que não nos deixaram saber e que, diariamente, nos escondem frente aos deveres cotidianais e engendrados no tão labor laborial.   

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

questão de fé



Cremos, isto é uma expontânea e autêntica  verdade, porém, a fé é uma questão de moda. Ou seja, mudam as cores, formas, estilos, sabores, modelos, mas o princípio necessário e inconscientemente intrínseco na natureza humana de adicionar "roupagem" mítica, certa, lendária, óbvia, além-imanente, é a essência deste fenômeno, por isso, permanece, não se modifica. Esta é a única tese louvável ou empírica do que chamamos de "fé".

Esmagamento público

Como alguém capaz de assinar políticas, e logo, orçamentos, perceberá o massacre cotidiano que acontece nos enlatados do transporte público na cidade de São Paulo? Hoje sei que a mudança acontece quando a prioridade dos sentidos denuncia. Neste exato momento de esmagamento e outras surreais situações, o engravatado anda com o seu carro em ares condicionados. Enquanto isto uma massa de operários de escritórios e empresas endinheiradas ou não, mendigam ar, esfolam-se no corpo do outro, esmagam-se em pisões. Caos alienante de uma massa escrava que paga grandemente (falo de dinheiro mesmo!) pelo seu sofrimento. O pior é que a culpa está na população que não se organiza para acabar com esta bagunça, esta vergonha (assim exclama um guarda refém de sua necessidade de poder). Isto é palavra suada na equação de uma angústia numerosa e cotidiana, por isso uma denúncia não oficiosa em cadastros. Protestar? Como? Se não há tempo e o que prevalece é o interesse do patrão. Em outras épocas o meu tema seria sobre as imagens de Deus ou a revolução da humanidade, hoje resumo meu sofrimento denunciador na miséria mortal de hábitos urbanos, poucos solidarizados pela lógica e tentativa de respostas de pensadores e técnicos da denúncia. Não tenho imaginação ociosa para pensar no não-pensado. Vejo o que escrevo e escrevo o que vejo. Padecemos pela falta de intelectuais e políticos operários. Eu fico aqui na margem entre o esgoto e a fumaça, arredar o pé é morrer famoso pela aparência daquilo que deixei de ser.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Político Operário


O direito é a medida da saúde humana. O problema que os entes representativos não convivem nos espaços, lugares e logo nas situações da grande maioria dos indivíduos. Um governo deve por essência ser solidário (derivado da palavra latina solis-uno). Escrevo neste momento num metro lotado de gente uma pessoa perdeu os óculos, pisoteado pela massa atrasada que entrou na estação da Luz. Ao lado uma menina roçada por um homem alto e bem perfumado. Não existe espaço o ar é mergulhado em cm's de sufocamento, parece materializar-se num cinza amarronzado. Esta é lida diária. Estes são os momentos que me encontro solitário e esmagado pela falta de inteligência e honestidade de toda a aparelhagem publica. Somos advogados se nosso próprio acaso. Tenho que parar de escrever, pois estou atrasado para o meu ganha pão. Ócio e bem estar são para aqueles que herdam capitais. A palavra riqueza e pobreza não são conceitos de um esquerdista, mas motor de uma realidade que esta no centro de meus olhos e no aprofundamento diário de meus passos, pisoteados pela multidão sofrida, abusada, faminta, suada, cansada, asmática e estrupada. A saída esta num político operário, com mão na massa, na massa daquilo que DEVE ser mudado, pois a morte impera sobre a vida, beste exato momento e nos dias que seguem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eleições dos fracos

Estamos em época de eleições, era de palvras, sálivas em microfones e cabelos preparados para TV´s. Neste cenário o sorriso não é um broto de contentamento. Quantas promessas, dizeres de futuro vendidos como não tão óbvios, porém tem raíz de mesmice. O plano de desenvolvimento de cada candidato soa de maneira repetida, dá nausea, sentimento espontâneo de repelimento, diante de slogans ditados pelo menos há 5 décadas de campanhas passadas. Hoje uma coisa passa despercebida, de maneira estranha mas anatômica, não precisamos de direitos básicos. Mas porque não? Pois isto está assegurado por uma constituição detalhada em artigos e parágrafos, se não está aplicada é outra coisa. Precisamos de governos que saibam guiar um barco em ventos tempestuosos e fortes, como língua de fogos de dragões inimagináveis, não errar rumos, ter no músculo a história do trabalho frente a sonhos de rumos para o todo, não para partes, minorias, elites, selecionados. Necessitamos não de obviedade, mas de percepções diante de direitos mais refinados, imperceptíveis. Não quero ter direito ao transporte, isto é uma premissa superada politicamente, quero sim, andar em um transporte com estilo, com ar favorável, com espaço oportuno e tempo hábil. Vivemos numa época em que não queremos comida, mas cultura de degustação. Não quero hospitais quero saúde. Quero direito o meu direito. Temos que superar o mínimo sempre apresentado como mérito. Não fazer o essencial é crime, fazer o que é difícil e mais sensível é mérito de líderes, por isso, de homens e mulheres aptos a serem eleitos. Sofremos de falta de criatividade e de trabalho de grandes governos. Um governo não deve ser pautado em ofertas daquilo que é dever primário, como: ter comida, trabalho, lazer, moradia, educação. Precisamos de lógicas governamentais que apontem para soluções mais dignas. Ficou claro? É mais fácil pensar naquilo que é pensado, vender aquilo que é estoque é mais fácil. Fraqueza é princípio a ser monitorado nas aparências de cada flash, alienador, dos ditos candidatos. Fraco é aquele que não tem capacidade de dar um passo no diferente, na fartura da idéia ou um olhar para a necessidade do belo, bom e acochegante. Este é o direito que precisamos: o direito a critiavidade das soluções que tanto necessitamos, antes que morramos, e desfrutemos o que verdadeiramente é justo.

domingo, 11 de julho de 2010

hoje é dia

Um domingo a mais e recordo-me das centelhas de instantes em que posso me perceber em minha rotina. Perceber = ser dono de meus sentidos e observar aquilo que está fora de mim ou tão em mim. Quantos livros já li e outros deixei de ler, misteirosamente esquecidos na gaveta de meu quarto. Soube ontem que duas pessoas se suiciram, com a frase deixada: "Não tenho mais sentido para continuar vivo". Donde brota esta afirmação por vezes tão impulsiva e outras vezes meditada como pedra mergulhada na florestra. Sentado neste banco e com a lógica destas palavras procuro uma gota de reflexão que me distraia do ócio domingueiro, que traz nos pés os calos de minhas angústias e na cabeça o peso da fatalidade e acaso. Amanhã tenho agendas de reuniões e hoje não consigo dormir no silêncio de meu travesseiro, somos aquilo que queríamos ser? Eis uma pergunta que faço, sem somas de interpretações ou retórica juvenil. Do outro lado da parede o velho assiste um programa televisionado em qualquer parte do mundo, com um sorriso no canto da boca, satisfação viceral. Eu, aqui com esta coisa sem dor, sem alegria, nem espectativa, cego-me em tentadas reflexões. Quero um sentimento conhecido para agarrá-lo em minha compreensão, enquanto isto, perco-me nas horas e nauseio o dia.

domingo, 13 de junho de 2010

Bamba em samba


Escrevo em samba o que me bamba,
Soletro imagens para cantar saudades
Quem morre longe das guerras e da fome,
é amante e artista do carnaval solene

Salve a avenida de brilho e alegria
moro no beco, sou do morro
sou do povo, nasci no quintal

Ontem falei de infância e pipas,
hoje em rodas já penso na morte
quero amar minhas amadas em letras,
algumas lembradas, muitas esquecidas

Salve a avenida de brilho e alegria 
moro no beco, sou do morro
sou do povo, nasci no quintal

Verbo existir


Pare de ser solidário, seja crítico
Não queira o céu, escolha o subterrâneo
Não vote, assuma
Esqueça as letras e prefira a palavra
Quebre a porta e descubra a rua
Ame a estrangeira e admire sua família,
Eduque-se para não parar,
Denuncie o seu patrão,
Escolha um filho,
Compre passagens,
Roube alimentos,
Mantenha o escuro,
Prefira o sol,
Seja médico e abandone os argumentos,
Mergulhe em florestas, evite parques
Aventure-se no mar, esqueça o futuro
Ria dos engravatados,
Seja amigo dos mendigos,
Personalize os andarilhos,
Nomeie as flores,
Decore os atalhos,
Construa no seu jardim lares,
Nos becos cultura,
Seja amigo dos artistas,
Guerreie com os empresários,
Leia o tempo,
Abrace uma praia,
Na rotina esfregue as mãos,
Perca mais sonos,
Durma até doer,
Descanse de vez em quando numa Igreja,
Procure o silêncio,
mas seja boêmio
Seja gentil sincero,
Não perca a dureza,
Mas afague-a com humildade
Procure menos substantivos e adjetivos,
Use o verbo
Sofá é para pensar e não assistir tv,
Volte para seu passado e pinte-o,
Seja maestro de imagens e não ator de ficção,
O quadro transcende, enquanto a cena mata
Inicie antes de acabar

IVONE LARA

Quem não acreditará na capacidade do ser humano de transcender a sua fatalidade na rotina laboral ao ver em carne e batom Dona Ivone Lara, mulher ressuscitada e imortalizada sem tratados ou especulação. Vemos nela a vida e vida que nos escapa em letras e olhos. Queria tempo para mergulhar em cada palavra, sílaba confeccionada pelo talento misterioso desta mulher com ar de deusa, mulher, mãe e história. Hei um dia de conhecer este palco?

Europa, mestiça

Quem foi que disse que a Europa é celeiro de uma intelectualidade exemplar e de respostas técnicas para toda humanidade? E aí, quem é essencialmente o europeu? Ao lermos a história deste território teremos dados não muito "nobres" ou similares com o que hoje concebemos frente a este continente. Obras de arte, prédios e templos "inigualáveis" no arranjo de sua arquitetura, tratados filosóficos e religiosos, tornou-se referência de cultura e pensamento pela sua capacidade de posicionamento e ordem frente a outros grupos territoriais, muitas vezes com as rosas da colonização. Neste universo de status e projeções voltamos ao cenário de alguns anos atrás: Terra de bárbaros = cultura baixa, agressiva e primitiva. Assim era o que hoje conhecemos como Europa. Um povo feito de bárbaros. As invasões e permeações das culturas árabes e outros extratos orientais regeram uma nova cultura em que foram apresentados elementos fundamentais para este cenário e concepção hoje existente. A arquitetura foi analisada e matematizada pelos arquitetos orientais. E o pensamento intelectualizado dos filósofos, arrogantemente ocidentais, surge com os escritos do mestiço Aristóteles manuseados por estes mesmos povos oriundos de um lugar diferente do que até então se conhecia como "Europa". O Europeu é aquele povo que recebe, tem a capacidade da síntese do outros(S). Hoje no futebol temos a impressão de que quem joga na Europa tem um carimbo de qualidade intransponível. Porém, com base nesta analise é evidente, estatístico e descritivo que não existe futebol forte, bonito, criativo, disciplinar "europeu" por si mesmo. Mas sim, um campo de jogadores mundiais escolhidos nos países na sua grande maioria "periféricos". Um povo de costura e que serve de ponte, que comunica e integra os diferentes este é o seu mérito, mas também ronda nesta experiência e formato de ser um perigo de uma superficial concepção das origens. Uma derivação superficial de fatos e conteúdos de outras culturas com o seu contexto e suor. A cultura é elemento que brota, equaciona-se no grito de uma necessidade histórica e local. Pelo contrário torna-se enxerto e isopor frente ao prato principal incopiável. Acabo com esta reflexão invocando historicamente a imagem de um homem ocidentalizado, ou seja, acidentalizado pelos povos europeus, Jesus de Nazaré, foi um profano e um líder político subversivo pela sua proposta nada eclesiástica. Porém, o roubo histórico desta imagem histórica, para um povo do deserto fecundo, que foi vulgarizada pela mente coletiva de um povo que busca e engendra-se no respirar do poder, que quer lucrar com bandeiras e verdades, outros lugares e povos mais refinados e sabedores de sua própria cultura. A maldita colonização é símbolo de descarga de contradições lógicas e conceituais de um povo confuso e tagarela de outras culturas. A Europa não nasceu assim, é creche de nossas crianças latinas, africanas, árabes e tantas outras identidades. O nosso ouro está lá e as bibliotecas de nossos vizinhos foram mal copiadas e os originais queimados. Um povo genérico e sem a classificação da originalidade e autenticidade de uma cultura, no sentido pleno da palavra. Salve a mestiçagem, fruto de um capital pouco discutido e colocado na mesa de nossas concepções e relações. Saber disso é legitimar no seu devido lugar a dignidade de muitas culturas massacradas pela arrogância crassa de alguns umbigos de povos, chamdos de "centrais", porém tão marginais quanto a sua história “bárbara”.