porta quebrada

Esta página não tem intenção de ser reconhecida pelos "outros", mas serve de alívio para o que nela tenta escrever, rabiscando sentidos e percepções. Fadada ao caos do tempo alienado dos compromissos, aqui a mão e o cérebro se faz silêncio e palavra que perfura até o chão da rotina, ou seja, aquilo que deveria ser e não é mais. Por isso, neste espaço não existe porta, pois está quebrada, arrebentada pela liberdade do interesse.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

PARINDO A SI...

FAZ TEMPO. ESTAS LINHAS SERVIRAM DE TÚMULO DE SILÊNCIO DE ROTINA. CADA UM TEM VONTADE DE VIVER A PARTIR DO SEU SURTO DE EXPRESSAR-SE. ENTRE SARAMAGO E O PADEIRO A ESCRITA DÁ A LUZ DE NÓS MESMO. ESCREVER É UM PARTO. VIVER É UMA ESCRITA, MESMO QUE NEUTRA, PERDIDA, OCULTA, SECRETA, INENARRÁVEL, QUIETA, ANÔNIMA, SILENCIOSA. TANTAS COISAS ACONTECEM SEM O REGISTRO DA MEMÓRIA. QUERO CRAVAR NESTAS GOTAS INFINITAS DE BRANCO UM MAR DE IDÉIAS QUE INVADEM SENTIMENTOS, IMPRESSÕES, DELÍRIOS, OLHARES, ARROTOS, CM's DE DIZERES, DE VERDADES MENTIRAS, DE ÓDIOS, SATURAÇÕES, ABERRAÇÕES, ELEIÇÕES, DESCRIÇÕES, ENFIM, COISAS DE COISAS. ISTO É MAIS UM INÍCIO INICIADO SEMPRE, O CONTRÁRIO, É 7 PALMOS DE TERRA. PALAVRA É AR, É ESPAÇO NO TUMULTO, FLOR NO FERRO VELHO, SOM DO SURDO, VOZ NO MUDO, IMAGEM NO CEGO. OKEY?!ATÉ AQUI. FUI, MESMO ESTANDO.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TURBULÊNCIA

Indo e vindo pelas ruas da cidade mais maravilhosa de todas. Esbarrei em gente de praia, com pés sujos de areia. Menino sem camiseta. Metrô demorado e com cara de início de velório. O sol diminuía e eu atrasado para um encontro na baixada fluminense. Sai do metrô feito lobo da cova. Cheguei na Central do Brasil, deslizei por ruas laterais. Passei por camelôs de cortiços e dezenas de botecos entulhados. Cheguei num terminal de ônibus, que desconheço o nome. Vi uma mulher louca na calçada com as pernas em lôdo, não sei donde. Catava restos de bitucas de cigarros no chão. Gorda, sua barriga esparramava um suor oleoficado no seu púbis. De um lado e de outro vinham pessoas apressadas. Era domingo, fim de expediente da liberdade e eu pensava: "quantos reais deve ter aquele pai que sai na frente de sua esposa e de três crianças, como um estranho perdido? 2 reais e 90 centavos era o ônibus. Como terá ele conseguido este dinheiro? Dinheiro não é nada, mas é o pão de quase tudo. Do outro lado da rua uma prostituta exibia seu corpo, mais ondulado que o natural. Estava anormal, pois estava grávida e fumava. Naquele canto central todos ali pareciam gostar de cigarros. Porque todos transmitiam uma desarmonia em suas vestes e rostos. A feiura tem nome e codinome. Aqueles ali eram a lista da feiura mais feia. Algo me lambuzava o coração de tristeza e desespero. A realidade é maior que a teoria dos doutos conhecedores das estruturas sociais. Pensei em um culto pensador de renome internacional, com sua linguagem integradora: Terá ele conhecido um olho de furacão como este? Uma coisa é promover propostas em uma cidadezinha provinciana, outra coisa é imaginar uma possibilidade de integração com o cheiro de desarmonia de uma estação como esta. Integrar o que pra mim é caos é morte de objetivos. É fatalidade de estagnação. Ao meu lado, na fila estendida do ónibus que me levaria, uma adolescente com os dentes pretos de tabaco e maus tratos, joga um resto de sorvete no chão com papel e tudo, em seguida passa um ónibus e esmaga aquele papel no chão impregnado por uma massa preta que transbordava do esgoto no meio do terminal. Tudo era preto ou cinza. Pixado ou quebrado. Não vi planta e nem leveza vi o peso de coisas. Que se arrastam e deixam arrastar. Não quero mudar as coisas. Queria sentir-me mudado diante do que vejo. O que é a realidade? E a beleza? Onde mora meu animo? Enjoei-me do que vi e calei-me diante da imaturidade do que não entendi deste sentimento, pra além de um comportamento emotivo e OCULAR. Turbulência no corpo, estômago virado, olhos doloridos e a mente pirada sauda uma febre incomum. Nos lábios um mármore de frieza e no rosto o cheiro do temeroso silêncio do limite, tão próprio da intimidade da vida. (sem as devidas correções)

domingo, 21 de outubro de 2007

Alma parida.

A mulher é a lapidação de nossa masculinidade. Através de nossa mão de homens, construímos a delicadeza e exuberância de uma alma feminina. A mulher é a saudade da beleza. É a ansia de uma insatisfação do que queremos. É o que nos escapa, embriaga e frustra. A arte é a feminilização da brutalidade do mundo dos homens. Não acredito em anjo, mas nos contornos misteriosos de uma mulher. Piu, é o que tenho a falar. Sem este contato perco-me na filosofia estéril dos pensadores de gabinetes e sacristias.

"curativos em cânceres"

Este mapa deveria ser ensinado nas escolas e distribuído pelo governo Federal. "Poderá um louco falar de sua sanidade?"

Brasil de ontem e hoje

O Brasil e a sua mestiçagem filosófica. O pior é que tem gente que tem um Deus romano e um olhar de chinês. Europeização ou escravidão inconsciente de nosso consciente milenar?! Onde está meu cheiro de fumaça? Onde ficou o meu Deus Sol? Onde está minha destreza nos rios, minha corrida enérgica nas florestas. Onde ficou minha inteligência da oca e meu jardim de carcaças?
Salve Ziraldo! [Índio brasileiro misturado com o passado e publicado no futuro]

Puta cidade maravilhosa

Ontem estava mais uma vez no Rio. Copacabana com sua meretrizes e seus pintados, pelo sol, turistas de não sei donde. Devem ser da linha longe do oceano. O Rio tem algo que consome o orgulho de viver. Você pode tar fudido de cqualquer coisa. O Rio é o psicólogo dos pobres. É o delírio dos artistas. É a alma dos endemoinhados. É a brisa para os desertos homens. O Rio é algo para ser descoberto. O Rio é do Cristo não igrejificado, mas erguido como obra de arte pro mundo contraditório. Quem governa este Rio? Um homem? Talvez, Deus ou o Diabo!? O Rio é coisa de gente grande e brincadeira de nenem. O rio é a alma lavada na pedra de qualquer calçada. Penso um dia em morar e morrer nesta cidade. Morto mistura-me-ei em tudo nesta geografia desmedida. Ser pisoteado pelos seus moradores e suarei em cada corpo que passa pelos seus becos, ressuscitarei em cada toque de samba, e afagarei o sono dos bandidos e santos anônimos. Serei uma florestra umida de seus montes ou um lago destes jardins. Uma gota de praia ou uma bala perdida. Ressuscitarei em tudo. Serei Rio, este é meu sonho mais louco e mais visceral. Rio de mim mesmo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Gente - é feita pra além da carne que cheira. Tem coisas que escapam, mas atravessam feito alma.

conceito-pré

Gentificar-se é uma identidade primitiva, um labor do nascimento, uma obra da morte.

Início de Gente

Parece bobeira, usar de teclas para se fazer. Fazer o quê? Fazer-se gente. Todo dia e no cagar da noite imagino parindo de algum lugar. Na mente e no coração as coisas vão se fazendo de um jeito silencioso e autônomo. Isto me aconchega numa satisfação e ao mesmo tempo me atemoriza feito furacão de pesadelo. É preciso fazer-se. Como? Não sei. Uso das palavras para brincar com o que acredito. Somos feitos de crenças. A crença nos une a história e ao futuro imaginável. Fazemo-nos no instante do pensar. Quero que meus pés soletrem coisas que sou, seria, serei. Nestas páginas frias feito esmalte de defunto, vou gentificando-me, e gentificando aqueles que se acham vagamente gente. Não quero morrer feito tela vazia, ou condenado a albinez de meus coloridos quadros de vida. Ao mesmo tempo dou uma frouxa e melancólica risada da estupidez de nossas vontades super-heróicas. Blá. É só mesmo gente que pinta tela de palavras e cenas ideificadas, assim, deificadas(os deuses moram em nossas mãos!). Salve a ilusão da literatura do que somos! Salve a gramática funcional de nossos dias, nada mais e nem menos, imaginavelmente percebidos. Somos imagens de nós mesmos. Imaginação = a gente mesmo.