porta quebrada

Esta página não tem intenção de ser reconhecida pelos "outros", mas serve de alívio para o que nela tenta escrever, rabiscando sentidos e percepções. Fadada ao caos do tempo alienado dos compromissos, aqui a mão e o cérebro se faz silêncio e palavra que perfura até o chão da rotina, ou seja, aquilo que deveria ser e não é mais. Por isso, neste espaço não existe porta, pois está quebrada, arrebentada pela liberdade do interesse.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Assunto privado

Gentificar-se é uma forma de assumir a nossa mais alta condição! A fome, o frio, a doença, a morte do próximo, personalizam diariamente muitos heróis. Ser gente de forma extrema, sem as dores da aparência é a essência mais heróica. Salve o trono de nossa plena condição. Ser gente é um ato grandioso, ainda mais nesta monstruosa rotina. Você sabia que existem necessidades mais básicas do que ser um herói!? (Bueno desenho Ziraldo)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cli-chê

"Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém,
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece."

(Che Guevara - Poesia de Sophia de Mello Breyner)


Atrás de uma juventude existe sempre a mentira da totalidade, porém, esta totalidade atinge a parcialidade possível que lhe é cabível. Ou seja, o éter do impossível constrói o passo e o toque do possível. Che Guevara, nem mais e nem menos, apenas um homem que acreditou, falou e fez algumas coisas no local singular de um país e de uma nação. A história não se repete e não tem realidade elástica. O que este homem fez em um lugar, frustou-se em outro por não estender a seu impacto imaginado. Ideologia e prática são duas receitas que se permeiam, mas não se fundem. África não é Cuba, Cuba nunca foi Argentina e a Bolívia se engendra num tapa na cara da fantasmagórica força revolucionária. O ser humano se constrói na simplicidade de uma rotina emaranhada de medos, frustrações e necessidades. Quem já leu a história do Che exorcizando as fantasias históricas e, até hoje, disseminadas pela matemática do acreditar e projetar? Jesus, Buda, Betinho, homens ressuscitados pela voz de um coletivo dissolvido que tem como segurança a crença no diferente, no herói, no mártir e no universal. Nesta melodia o lucro supera a imagem. Propõem-se cenário de medidas que acalentam a necessidade da transcendência diante do trivial, tosco, bruto, imaturo, feio e retardado. Estampa, coleri, desenha e vende uma imagem daquilo que se espera na madrugada de um dia sem grandes feitos, nem grandes anseios. Somos feitos de uma ocacidade de acontecimentos e do espetáculo mais primário do fenômeno do existir. Comer, dormir, caminhar, conversar, desbravar a floresta do dia-a-dia se torna numa atitude heróica do anonimato sentido do ser. O consumo é uma imagem de si mesmo, que gera o anseio do ter pelo ter, onde a matéria retarda a lógica desvinculada de uma linhagem histórica, não importa o que se produz, importa o que se vende. Este é o clichê da sociedade atual, uma aparência na necessidade de refência da humanidade. Cli-chê do cosumo e da tentativa de afago de uma complementariedade na crença em algo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Amor", imaginando uma realidade


"Amor" é falácia ou descrição. O imaginário é o campo que permite ao ser humano a identidade que lhe compete hoje enquanto ser. É a fórmula que equaciona e proporciona a dubiedade presente da sua existência, sua capacidade de transcender a funcionalidade da percepção. O ato criador surge da potencialidade da imaginação. Imaginar é ter consciência de coisas que estão a frente, atrás e ao lado. Existir é um constante imaginar. Sem esta possibilidade não existiria escrita, rima, doutrina e moral? Não sei, as formigas desenham condomínios que identificam e subtraem uma lógica impenetrável pela burrice formal. Mas afirmar que somos fadados a uma existência singular por ter a capacidade de imaginar, eu não sei se esta afirmação é possível. Acho que tudo que existe imagina. Faz parte da organicidade das coisas, não só da aparência, mas como essência, profunidade, multiplicação infinita. Agora uma coisa quero gritar, sussurrando nestas linhas, o "amor" foi imaginação de quem? " Nascemos sós e morremos sós, por isso, na vida, tentamos viver em companhia", Raquel de Queirós, descrevia isto em suas tantas revelações. A vida se enfeita de coisas para desfilar na avenida do sentido. Tantas montanhas são codificadas no paladar do pensar, que se abstrai num acreditar que declama na boca e frustra-se nos pés da razão. O amor não é ponte entre a emoção e a realidade, mas sim, é musculação do cérebro e dos sentidos. Somos educados a amar. Amar é sinônimo de compromisso, projeto de hoje, ontem e futuro. Na música do rádio o rouco poeta canta mais um amor. Pra se dizer verdades, basta contar histórias de algo que foi vivido. O homem é estatura forte mergulhado na fragilidade da mulher. A mulher é espelho da adormecida sensibilidade masculina. Enfim, ambos projetos daquilo que se quer de si mesmo e reproduz-se na imagem de um outro. Amor é coisa que se faz e é feito, nada de uma tempestade surgida, mas vento de um movimento do corpo daquele que se confessa amante. Mesmo com este falatório todo, surge a cina: Onde des-cobrir esta coisa denunciada "amor"? Talvez longe do que falo e mais perto do território do que muitos, silenciosamente, sentem depois de anos de acreditar neste conceito imaginado na prática.

Parodiando idéia: Sem Deus, mais humanos!


Não costumo postar textos de outros, mas acontece que somos atravessados por sentimentos de identificação que beira quase a concepção que temos de "inveja". Tem coisas que gostaríamos de ter dito na cara do mundo. Segue aqui, de modo literal, palavras do rabino Nilton Bonder, um pensador transgressor sempre nutrido pelo princípio da desconstrução, um religioso por acaso:


"O mundo de hoje está saturado de Deus. Não é o Deus dos profetas que um dia preencherá todos os corações, mas o Deus que sufoca o humano e que como um ídolo se torna repositório de todas as pequenas verdades dos homens. Verdades essas que excluem e destroem e que matam indiscriminadamente em guerras, ônibus, trens e agora também em escolas. O que seria dos homens se deixassem Deus de fora e assumissem o que fazem? Com certeza muitos enlouqueceriam e muitos se fariam mais humanos. É muito fácil fazer o que Deus quer e desvencilhar-se da responsabilidade do arbítrio do próprio indivíduo. Por isso todo homem-bomba que se explode termina com suas 70 virgens — com 70 consciências de lucidez a lhe dilacerar em culpa pela eternidade afora! Deus foi talvez a descoberta mais refinada de nossa consciência e, ao mesmo tempo, a que mais sofrimento trouxe".
A visão de um objeo intitulado Deus consome uma prática alienada, dona de si mesmo. Omesmo olho que acredita é o objeto venerado. Veneramos o nosso lado sobrio, ou o nosso lado mais grandioso. O conceito de onipotente, oniciente é fórmula de uma hipotese daquilo que imaginamos ser, por isso inalcançável pela prática real. O que é Deus? Se calessemos mais e buscassemos sentidos no odor daquilo que sentimos e prazer naquilo que mrgulhamos no coito buscado. A vida sem Deus é mais divivna, e o divino sem o humano é fórmula de ficcção existe, mas enquanto soma de palavras e não de coisas em si.


Sem mais e nem menos! Um recorte para muitas reflexões e verdades a serem autenticadas pelo pensar neste falatório todo chamado Deus, que é a soma de projeções humanas! Se fôssemos pintar uma imagem de Deus faríamos vários corpos, milhares de bocas, um mar de olhos, montanhas de cabelos, enfim, diversas facetas provindo de todos os cantos que reverenciam e cultuando este conceito DEUS. Deus não governa, quem governa é capacidade humana de se meter a besta em questões que imagina modificar. A vida é sempre maior que as intenções e nem uma mão, braço ou pensamento interfere na lógica ilógica do fenômeno chamado cotidiano. Não chamo isto de "Deus", pois seria mais um arroto oriundo de uma reação do meu estômago. Calo e vejo a vida e seu mistério natural passar, como lágrima nos olhos, por mais que sabemos da anatomia deste gesto ela sempre surge e nos surpreende. E isto escapa a qualquer bisturi e descrição científíca e religiosa, por que é VIDA. A vida está num terceiro elemnto nunca alca'ncado plea limitação projetável do ser humano. Porém, somos maiores que imaginamos, dependendo do grau de humildade em que se educa, este é o método, esta é a verdadeira razão de pensar.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Terra: entre o céu e o inferno


Inicio aqui a volta do que já foi, a plasticidade da redundância escrita, publicada e revelada, mas a cirurgia no peito em fumaça de idéias é realizada, mesmo em meio a contradição e limite. Expelir um aroma perdido da sinceridade, esta é a estratégia, a meta e o escambal. Fazer-se honesto, em meio a montanha de trabalho e os kilômetros da volta para a casa, é heroísmo ou milagre? A palavra "santo" vem da palavra latina salus que pinta o conceito no português de "saudável", desvirtualmente pixada pelos doltos católicos como "salvação". Bueno, como se curar sendo afogado pela doença de remédios? Injeções anestésicas injetadas nos passos dos segundos de cada movimento intencional de forma robotizada neste caos universalizado das cidades. Hoje não vivo na cidade. Sou a cidade, uma matéria fria, concreto, ruas e cheiros, um bueiro transbordando as únicas virtudes reais: angústia e medo.Teremos posssibilidade de sobreviver em um canto virgem, sem intenção, com uma saúde que dê conta da sobrevivência mais básica da beleza, do estético, do agradável, do prazer, da imaginação, do afeto, da liberdade, da relação, da fala sem lógica, da poesia do olhar, da comida do campo e das horas perdidas? Elementos estes desabituais no cotidiano dos direitos básicos da rotina urbanizada e pós do pós capitalismo, que chamavam de "selvagem", mas que deixou este estatus, publicitário e inútil do planfetários militantes, para a naturalização de sua presença e razão de existir. Hoje o capitalismo não é nem aplaudido, nem esbofeteado, mas um ar respirado, vitamina introjetada na necessidade do corpo vivente, enfim, naturalizado na ordinária ontologia da existência presente. Mais uma vez olho da janela, se tem grades eu não sei, e me vejo aqui, universos perdidos numa sala chamada mundo. O que usar para sair ou fugir deste estado concreto? Um avião, um foguete ou um metrô? Impossível, a fuga não depende de meios, mas da prioritariamente de fins. Um objetivo vale mais que instrumentos. Somos enfrangalhados por meios, mas o caminho é viciado, copiado, medido pela obvidade do destino. Mentira verdade, saimos e sabemos aonde vamos chegar. E o pior que, esta chegada, é o lugar que não optamos estar. Isto é o carma de uma geração, ou patologia de um indivíduo fadado as suas fraturas psicicológicas? Não mergulho a mente em terrenos só internos, qual fotógrafo clico na paisagem virtual e alienada do corpo das coisas, que passam feito bailarinas engessadas, ou atleta sem pernas, braços e coração. tudo isto, como o fantástico e deprimente Mundo de OZ: homem de lata querendo coração, leão na intenção de ter coragem, espantalho querendo ter cérebro... Rá, a essência das coisas está no vázio de ser uma aparência moldada a partir da "bionicidade"(de biônicos) dos interesses capitais de seres conscientes, corajosos e emotivos, alimentados e educados pelo poder. Quem vai parar com a carnificina de mentes, sonhos e liberdades, entalhadas pelas filas de metrôs e pelo medo do desemprego? No inferno de São Paulo fui doutrinado pela imagem do diabo e de um Deus distante. Ou seja, limite humano é a medida real. Salve-se quem puder, pois o inferno é lógica breve e proximidade real, basta deixar-se cair. O céu, sem ponte e nem possibilidade financeira e material para ser atingido, se torna em esforço irreal e impossível de mais para existir. Terra, medida entre céu e inferno. Ficar na hortizontalidade é questão de sobrevivência, porém, somos detinados a sermos seres caídos nascidos com o peso complexo no passo e no respirar... logo, o inferno é o nosso destino, crendo ou não. Precisamos ser homens e mulheres, enfim, gente, para acreditar na possibilidade única e salvífica da vida, se é que isto seja possível ainda. Terra, a virtude entre o céu e o inferno.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

PARINDO A SI...

FAZ TEMPO. ESTAS LINHAS SERVIRAM DE TÚMULO DE SILÊNCIO DE ROTINA. CADA UM TEM VONTADE DE VIVER A PARTIR DO SEU SURTO DE EXPRESSAR-SE. ENTRE SARAMAGO E O PADEIRO A ESCRITA DÁ A LUZ DE NÓS MESMO. ESCREVER É UM PARTO. VIVER É UMA ESCRITA, MESMO QUE NEUTRA, PERDIDA, OCULTA, SECRETA, INENARRÁVEL, QUIETA, ANÔNIMA, SILENCIOSA. TANTAS COISAS ACONTECEM SEM O REGISTRO DA MEMÓRIA. QUERO CRAVAR NESTAS GOTAS INFINITAS DE BRANCO UM MAR DE IDÉIAS QUE INVADEM SENTIMENTOS, IMPRESSÕES, DELÍRIOS, OLHARES, ARROTOS, CM's DE DIZERES, DE VERDADES MENTIRAS, DE ÓDIOS, SATURAÇÕES, ABERRAÇÕES, ELEIÇÕES, DESCRIÇÕES, ENFIM, COISAS DE COISAS. ISTO É MAIS UM INÍCIO INICIADO SEMPRE, O CONTRÁRIO, É 7 PALMOS DE TERRA. PALAVRA É AR, É ESPAÇO NO TUMULTO, FLOR NO FERRO VELHO, SOM DO SURDO, VOZ NO MUDO, IMAGEM NO CEGO. OKEY?!ATÉ AQUI. FUI, MESMO ESTANDO.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TURBULÊNCIA

Indo e vindo pelas ruas da cidade mais maravilhosa de todas. Esbarrei em gente de praia, com pés sujos de areia. Menino sem camiseta. Metrô demorado e com cara de início de velório. O sol diminuía e eu atrasado para um encontro na baixada fluminense. Sai do metrô feito lobo da cova. Cheguei na Central do Brasil, deslizei por ruas laterais. Passei por camelôs de cortiços e dezenas de botecos entulhados. Cheguei num terminal de ônibus, que desconheço o nome. Vi uma mulher louca na calçada com as pernas em lôdo, não sei donde. Catava restos de bitucas de cigarros no chão. Gorda, sua barriga esparramava um suor oleoficado no seu púbis. De um lado e de outro vinham pessoas apressadas. Era domingo, fim de expediente da liberdade e eu pensava: "quantos reais deve ter aquele pai que sai na frente de sua esposa e de três crianças, como um estranho perdido? 2 reais e 90 centavos era o ônibus. Como terá ele conseguido este dinheiro? Dinheiro não é nada, mas é o pão de quase tudo. Do outro lado da rua uma prostituta exibia seu corpo, mais ondulado que o natural. Estava anormal, pois estava grávida e fumava. Naquele canto central todos ali pareciam gostar de cigarros. Porque todos transmitiam uma desarmonia em suas vestes e rostos. A feiura tem nome e codinome. Aqueles ali eram a lista da feiura mais feia. Algo me lambuzava o coração de tristeza e desespero. A realidade é maior que a teoria dos doutos conhecedores das estruturas sociais. Pensei em um culto pensador de renome internacional, com sua linguagem integradora: Terá ele conhecido um olho de furacão como este? Uma coisa é promover propostas em uma cidadezinha provinciana, outra coisa é imaginar uma possibilidade de integração com o cheiro de desarmonia de uma estação como esta. Integrar o que pra mim é caos é morte de objetivos. É fatalidade de estagnação. Ao meu lado, na fila estendida do ónibus que me levaria, uma adolescente com os dentes pretos de tabaco e maus tratos, joga um resto de sorvete no chão com papel e tudo, em seguida passa um ónibus e esmaga aquele papel no chão impregnado por uma massa preta que transbordava do esgoto no meio do terminal. Tudo era preto ou cinza. Pixado ou quebrado. Não vi planta e nem leveza vi o peso de coisas. Que se arrastam e deixam arrastar. Não quero mudar as coisas. Queria sentir-me mudado diante do que vejo. O que é a realidade? E a beleza? Onde mora meu animo? Enjoei-me do que vi e calei-me diante da imaturidade do que não entendi deste sentimento, pra além de um comportamento emotivo e OCULAR. Turbulência no corpo, estômago virado, olhos doloridos e a mente pirada sauda uma febre incomum. Nos lábios um mármore de frieza e no rosto o cheiro do temeroso silêncio do limite, tão próprio da intimidade da vida. (sem as devidas correções)

domingo, 21 de outubro de 2007

Alma parida.

A mulher é a lapidação de nossa masculinidade. Através de nossa mão de homens, construímos a delicadeza e exuberância de uma alma feminina. A mulher é a saudade da beleza. É a ansia de uma insatisfação do que queremos. É o que nos escapa, embriaga e frustra. A arte é a feminilização da brutalidade do mundo dos homens. Não acredito em anjo, mas nos contornos misteriosos de uma mulher. Piu, é o que tenho a falar. Sem este contato perco-me na filosofia estéril dos pensadores de gabinetes e sacristias.

"curativos em cânceres"

Este mapa deveria ser ensinado nas escolas e distribuído pelo governo Federal. "Poderá um louco falar de sua sanidade?"

Brasil de ontem e hoje

O Brasil e a sua mestiçagem filosófica. O pior é que tem gente que tem um Deus romano e um olhar de chinês. Europeização ou escravidão inconsciente de nosso consciente milenar?! Onde está meu cheiro de fumaça? Onde ficou o meu Deus Sol? Onde está minha destreza nos rios, minha corrida enérgica nas florestas. Onde ficou minha inteligência da oca e meu jardim de carcaças?
Salve Ziraldo! [Índio brasileiro misturado com o passado e publicado no futuro]

Puta cidade maravilhosa

Ontem estava mais uma vez no Rio. Copacabana com sua meretrizes e seus pintados, pelo sol, turistas de não sei donde. Devem ser da linha longe do oceano. O Rio tem algo que consome o orgulho de viver. Você pode tar fudido de cqualquer coisa. O Rio é o psicólogo dos pobres. É o delírio dos artistas. É a alma dos endemoinhados. É a brisa para os desertos homens. O Rio é algo para ser descoberto. O Rio é do Cristo não igrejificado, mas erguido como obra de arte pro mundo contraditório. Quem governa este Rio? Um homem? Talvez, Deus ou o Diabo!? O Rio é coisa de gente grande e brincadeira de nenem. O rio é a alma lavada na pedra de qualquer calçada. Penso um dia em morar e morrer nesta cidade. Morto mistura-me-ei em tudo nesta geografia desmedida. Ser pisoteado pelos seus moradores e suarei em cada corpo que passa pelos seus becos, ressuscitarei em cada toque de samba, e afagarei o sono dos bandidos e santos anônimos. Serei uma florestra umida de seus montes ou um lago destes jardins. Uma gota de praia ou uma bala perdida. Ressuscitarei em tudo. Serei Rio, este é meu sonho mais louco e mais visceral. Rio de mim mesmo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Gente - é feita pra além da carne que cheira. Tem coisas que escapam, mas atravessam feito alma.

conceito-pré

Gentificar-se é uma identidade primitiva, um labor do nascimento, uma obra da morte.

Início de Gente

Parece bobeira, usar de teclas para se fazer. Fazer o quê? Fazer-se gente. Todo dia e no cagar da noite imagino parindo de algum lugar. Na mente e no coração as coisas vão se fazendo de um jeito silencioso e autônomo. Isto me aconchega numa satisfação e ao mesmo tempo me atemoriza feito furacão de pesadelo. É preciso fazer-se. Como? Não sei. Uso das palavras para brincar com o que acredito. Somos feitos de crenças. A crença nos une a história e ao futuro imaginável. Fazemo-nos no instante do pensar. Quero que meus pés soletrem coisas que sou, seria, serei. Nestas páginas frias feito esmalte de defunto, vou gentificando-me, e gentificando aqueles que se acham vagamente gente. Não quero morrer feito tela vazia, ou condenado a albinez de meus coloridos quadros de vida. Ao mesmo tempo dou uma frouxa e melancólica risada da estupidez de nossas vontades super-heróicas. Blá. É só mesmo gente que pinta tela de palavras e cenas ideificadas, assim, deificadas(os deuses moram em nossas mãos!). Salve a ilusão da literatura do que somos! Salve a gramática funcional de nossos dias, nada mais e nem menos, imaginavelmente percebidos. Somos imagens de nós mesmos. Imaginação = a gente mesmo.