porta quebrada

Esta página não tem intenção de ser reconhecida pelos "outros", mas serve de alívio para o que nela tenta escrever, rabiscando sentidos e percepções. Fadada ao caos do tempo alienado dos compromissos, aqui a mão e o cérebro se faz silêncio e palavra que perfura até o chão da rotina, ou seja, aquilo que deveria ser e não é mais. Por isso, neste espaço não existe porta, pois está quebrada, arrebentada pela liberdade do interesse.

domingo, 9 de maio de 2010

Armada revolução

Os nossos revolucionários latinos foram convictamente armados. Uma convulsão histórica, arroto do passado, de Alexandre Magno ao condenado e borrado Hitler. Onde se equaciona a possibilidade da mudança e a tão esperada garantia da equidade? Até mesmo o galã e intelectual revolucionário acreditou profundamente no poder de sua arma.

lei mais lei

Na malha dos repreentantes diplomáticos e judiciais percebe-se uma linguagem robusta de dizeres tão téncica, tão técnica que você duvida se veridicamente é real. hoje existe explicação e sistema para tudo. Uma lei justifica a outra, por isso, sua utilidade e produção é infinita.  Quando um juiz fala ou discute com um promotor, pergunto-me em que planeta eles vivem? Falam de vidas e de situações. Definem em colegiado normas e diretrizes. mas quem saberá desta definição. Aquilo que assegura o direito de um pobre cidadão vive na gaveta ou na imaginação daquele que legisla. A questão central é que tudo o que se torna "publico", lei, se transforma em prioridade de financiamento. Se eu que estudei filosofia e tantas outras coisas me sinto perdido, imagina quem não sabe nem ler e muito menos a diferenças entre um estatuto, polítca, plano. São nestes universos confeccionados por magistrados que o mundo da dignidade se perde e se transforma em meio privilegiado e abstrato.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um instante só!

Feriado de semana. Que dia é hoje? Parece que alguém morreu enforcado. Mais uma pessoa herói publicado no cérebro morto de nossas escolas. Parei de trabalhar, loquei um filme, comi um frango inteiro e já escureceu. Olho o amanhã na certeza de mais um caminhar e fazer algumas coisas. Não imagino-me morto. O que será isto, ou melhor, não falo meramente da morte, mas deste instante de vida. Sentido? Dúvida? Desespero? Busca? Não, apenas uma idéia que me trouxe um pouco de percepção sobre o que faço, farei e deixarei de fazer. A inexistência é lógica correta, transcender a isto, é uma pequena forma de potencilizarmos a nossa loucura egocêntrica. O nada corrói os livros e genomifica os vivos. Um instante só!

Eco-logia profunda

Hoje o sol bateu na parede e alertou o corpo de que a mata é mais importante que a sombra.

domingo, 4 de abril de 2010

Ponte Aérea




Não suporto ouvir o castelhano dos Andes,
não pelo idioma em si, mas pelas bocas que o pronunciam
O que me afeta é o olhar de índio depositado nestes seres,
carregam paletós e meias de americanos
Uma sujeira cultural, lixo antropológico
Esta mistura é material não reciclado

Amo o Brasil pela sua nudez e colorido
Quero o português no boteco e o inglês só nos enlatados que não escolho

Estou sentado no aeroporto de Bogotá,
Pessoas passam em passos presos a um destino almodovariano.
Policiais são reféns do espírito crasso,
talvez pela falta de um controle democrático,
Aqui cheira um descontrole ético,
Farsa e fraca força política

Vejo ao longe o início das cordilheiras,
O ar pesa e lá fora políticos são políticos,
Gente é gente, feitas sempre de procura
Isto é que me intriga,
somos os mesmos em chuvas iguais

Quando ouvirei uma só língua,
Sentirei na pele o sabor de uma só nação,
diferente apenas pela hospitalidade?
Não quero supremacia ignorante,
mas a beleza gigantesca de um povo livre
Quero sentir-me em casa e não num quartel ou na casa do bandido
Quero gota expressiva de um mesmo que não é mesmo
Saber decifrar o código da depressão
Convocar não no sermão,
mas na experiência convicta de uma libertação sem bandeiras e nomes
Apenas um libertar,
como enxurrada em dias de tempestade

Assim iniciou a revolução hitleriana,
Um afogamento natural de uma intolerância
Estou aqui de saco cheio, e com olhos doendo
Mierda! Porque perdi o vôo de conexão?
O que era uma ponte, afogou-me neste lugar,
sem gosto e muito peso

A América latina de meus mortos revolucionários
tão europeus e americanos,
quanto a arma que punharam em suas convicções
Salve o tupi, e as mulatas
Liquidificadas pela inculturação sadia,
De um povo resumo, síntese do que se almeja humanidade
Sociedade, palavra frouxa e esbirutada no hospício do poder.

domingo, 28 de março de 2010

Sentido Obrigatório!


Iniciou neste domingo a chamada "semana santa". Calma, não falarei de um acontecimento católico, ou algo do gênero da religiosidade habitual. Pergunto de início: donde provém o conceito de "santa"? "Santa" significa, saudável, ou seja, equilíbrio entre a confecção do possível e do tecido histórico velado que sempre nos escapa, até mesmo de nossas técnicas literárias, investigativas, artísticas e/ou plásticas. Sabemos que a vida é um meandro de terapias e loucuras. Somos loucos e encantados por sentido que buscamos nos outros. Uma navalha de conflitos internos e externos, típicos da razão que matematiza o coração. Eu, isoladamente em minha crença, escolhi a fatalidade das resoluções engendradas no meu peito e nos meus pés, que se tornam herança a cada passo dado e olhar depositado. Não me justifico em outras possibilidades, fora de mim, como um chapéu de carnaval, mas sim, justifico-me naquilo que me atravessa e posso misteriosamente apalpar. A Semana Santa é a soma de fatos aprofundados em uma linha histórica traçada por um homem, nada mágico e nem tão extraordinário, simples por demais, que foi até ridicularizado, fado típico dos anônimos, daqueles que não são artistas da massa e nem empresários de grandes bens. Enfim, primeiramente este homem foi aclamado como "necessário", "percebido", "vangloriado" com os ramos dos elogios e admirações. Num curto estender dos fatos foi desconfiado, mal falado e condenado; prostou-se não de medo, mas pelos escarros e palmatórias da moral local, codificada de forma medíocre pelo poder de mando. Jesus foi à imoralidade de uma proposta, a infidelidade da crença, (não de bandeiras e passeatas, mas de carne e encarnações) militante pela igualdade, tão massacrada pela falta de tantas coisas para muita gente. Este é o homem-símbolo, que mesmo morto fisicamente, justificou a sua vida na boca da memória. Abstenho-me da possibilidade da imaginação de uma fé cega e de tratados bem pensados, asseguro-me para este fenômeno apenas num fato: morto foi memorizado, explicado pelos que o seguiram em vida. A morte é a soma de lembranças daquilo que não perece: gestos, atitudes, falas de denúncias, perigos por uma causa, que se geometrifica sempre no outro. Eis o palco de uma semana diferenciada pela doideira cotidiana de dias e semanas, trafegadas de deveres e cumprimentos exigidos pela sobrevivência. Momento de deitar a mente e o corpo no pensamento daquilo que somos e profundamente somos interpelados a sermos. Mas existirá uma forma de conceber a vida de forma autêntica? Existirá uma essência para isto que chamamos VIDA? Estas questões será uma interrogação romântica ou meramente mais uma especulação filosófica, geradora de conceitos e palavras, como fábrica de isopor? Por vezes, na nossa diversificada rotina temos que encarnar a partir de rituais alguns fatos e comemorações, e desnudar assim, os sentidos destes meios e tempos que foram "criados" e "manuseados" sabiamente num belo dia de intenção. Assim, a intenção desta semana foi simples, apontar para a entrega daquilo que deixamos de ser. Hoje moralismos, templos, imagens de Deus (es) alienando a imagem natural da vida; exclusões, predileções, guetos, a-politicidade, partidarismos, prostituição, não do corpo, mas de julgamentos, se tornaram em ar no pulmão das relações. Neste cenário nasceu a história deste homem chamado de Jesus, uma resposta de contradição e subversão, transgressão para a ordem estéril, opressora do fenômeno vida. Vivemos num mundo de tantas ordens e decretos, em que a posse é direito, e não um crime, o poder é caminho e antídoto, e não abismo e doença. São estas situações que singularizam e reverenciam esta semana em momento de pensar em nós mesmos enquanto seres breves, marcados por uma vida de consumo de tempos e de cargas factuais que nos lançam para a vida ou a morte. Mas algo para lém disso?  Uma dica: para acontecer a ressurreição é necessária a dor da calúnia, do desprezo, da pobreza pelo desprezo, da não diplomacia diplomada, da inutilidade do servir, da idiotice da gentileza, da febre da generosidade. Jesus não é uma questão de fé, nem objeto de proselitismos, mas acontecimento de vida em meio há tantas mortes minúsculas, microscópicas, eterificadas e inconscientes no movimento habitual do que somos agora.


sábado, 27 de março de 2010

flactus vocis

Se as palavras fossem úteis e movedoras de qualquer ação (intencional redundância) a ONU não estaria falida publicamente e os padres não estariam esquizofrenicamente roucos. Palavra pela palavra é doença. Alguém já tentou falar dialogicamente com um adolescente desta época ou com um idoso envelhecido? Blábláblá. "Douta Ignorância", como dizia Nicolau de Cusa...ou poderíamos dizer categoricamente e literalmente, ou seja, no sentido prático da palavra: vento de som!

PERCEPÇÃO CONCRETA

Ontem andava de ônibus, apertado feito sardinha na loja da esquina de uma periferia vertendo de gente e de sóis enormes. Enfim, inferno metrificado. Olhava para as ruas e construções peguntando-me: "Onde está o direito da terra e de suas biodiversidades?" Eu via concreto, ferro, cerâmicas, plásticos e fio, ou seja, coisas entulhadas uma sob as outras, como tapete de ferro velho num campo de trevos. Não existe razão para a insanidade bárbarie e psicótica que confeccionamos diante de nossas próprias penas. Almas penadas! Somos assombrados por delírios e medos, ergo-me na frente de mim mesmo, feito defunto realizando sua autópsia. Estarei vivo para isto, ou serei um lapso entre imaginação e toque de aleijado? Não sei a origem e o princípio com que nos perdemos numa lógica sem barranco e nem porto. Quero dizer a mim mesmo e ao meu filho: "Vamos embora! Saiámos e procuremos um lugar para plantar, colher e passar a noite ao relento, ao som de uma lua melancólica. Falaremos de nossas infâncias e dos nossos amores de porões. Dormiremos tortos e com os pés gelados numa rede pequena em gigantescas varandas.  Quero falar para o meus netos dos medos reservados no ato da vida, das insônias e dos calafrios frente aos velórios. Não quero ter jardim, quero ter uma florestra, quero ter um riacho e não um quintal. Queria ver minha roupa surrada, sem cor, apenas com um sentido de existir - protejer - como roupa de Francisco de Assis. Não saberia relatar feito diagnóstico o que aconteceu com os meus vizinhos, com minha vida, com a vida dos meus. Serei um ser a mais neste metrô de metro, nesta rua nua, nesta gente entificadas em coisas sem coração e mente. O ônibus chegou no ponto, lugar de chegada, minha viagem permanece algemada com os meus deveres. Sai correndo (ATRASADO) para assentar-me numa reunião. Trabalho mais um dia. Sobrou-me esta folga entre um sono e o barulho da rua, que é palco de adolescentes e jovens ao som de um Rap, verdades de cores e sons, nada mais e nem menos. Enquanto isto a atelevisão na sala esquenta e na cama a amada dorme, cansada pela canseira embutida pela carnificida de mais um dia nesta cidade. 

segunda-feira, 15 de março de 2010

Revolução microscopicamente gigantesca!


Que revolução esperamos?
Usaremos armas ou alguma estratégia bélica?
Faremos um ritual de protestos, com passeatas e motins em prédios públicos e privados, que armazenam a razão da sobrevivência de milhares de seres humanos estraçalhados, em sulgo e extrato, engarrafados num afazer insconsciente, muito mais para um ter do que para um ser? O ser é resultado de desejos, anseios, visões do que imagina de si mesmo e seu entorno. Quando um ser sujeita-se a mero objeto do fazer, perde a existência. Morre de modo vivo ou vive morto. Lá fora longe desta tomada virtual, passa o metrô caro e gente suada em montoados. O asfalto estrupa a terra infértil e podre de canos. O que dizer? O que propor? A revolução se deu sempre em idéias e mortes, além dos expontâneos suspiros de frustações com cicatrizes de outra ditadura, não esperada mas revelada. Não acreditem nesta melancolia histórica e tão contemporânea. Temos que crer na goela de outras sálivas? Não! Prefiro ser vomitado, expelido, jogado fora, desinfiltrado. No vaso da minha área uma planta subtrai a terra numa combinação simples do limite potencializador: terra - vaso - planta - água; para que assim: cresça, floresça, morra e volte a ser vida (se é que deixou de ser um dia) em forma de adubo. O sentido de uma flor está na possibilidade de exaurir-se plenamente em cheiro e cor.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010


Desde quando somos consumidores do acúmulo?

Cidadela

Se eu pudesse mosaicaria uma cidade para mim. Roubaria pedaços de Olinda, que seria a base de toda a cena que quero, suas ladeiras, em planícies, músicas vomitadas dos becos e o lado do mar verde escaldante, que desfila magicamente atrás da igreja de São Bento. Prenderia o clima ameno e oportuno de Itaipava e buscaria a simpatia dos lojistas/barraqueiros da feirinha da madrugada. A comida poderia ser a do bairro onde nasci, cheiro de simplicidade e ponderado tempero e bem catarina. Queria também os espetáculos de Curitiba e os artesãos de Tatuí. Os idosos nesta terra seriam Suassuna, Luis Gonzaga, Fernando Pessoa, Paulo Autran e Cora Coralina a coordenadora deste movimento de sabedoria e educação. No único sindicato eu chamaria Eduardo Suplicy como o grande porta voz e demandador. Como vigário, sem igreja, Leonardo Boff que todo dia visitaria uma mesa, até se embebedar de cumplicidades e degustações. Na prefeitura nada mais que Lula, não existiria vereadores e secretários e nem portas na prefeitura. As reuniões aconteceriam às claras na praça da cidade no fim de tarde dos sábados, depois do trabalho e do futebol. Nos coretos e bancos chico buarque contracenando em rodas com os Demônios da Garoa. Nas casas redes postas e mesas na calçada, na parte plana uma lavoura cuidada por homens e mulheres que querem emagrecer e/ou tem prazer em arar, um ofício de cuidado e de contemplação.

Lógica interna


A força de uma gente não está no que ela pode conquistar, mas no que ela consegue mobilizar enquanto história e prazer. Os grandes homens são aqueles que nos apontam sabores entrelaçados com as mais ingênuas e putrefatas vontades. Chamai o surdo da esquina para a roda dos corações de samba, embalai os meninos sem berço para o afago da mulher viúva. Construí leitos de amores e de estrupos esperados. Queremos fé na ladeira no dia do carnaval e não choro de defunto que não se amava.

Quero vida onde há desmaio do sedutivo e amante desespero, quero feto na morte do cachorro da madame. Borboleta esvoaçante no cérebro do prefeito bandido e jogado as traças de sua enigmática consciência. Quem foi que disse que precisamos ser éticos? O mundo é feito de corrupção, mas quero uma corda para enforcar esta mentira, que me devora feito rato de deserto numa noite úmida de fome e de peste. Até quando terei dedo para enganar minha mente e massagear meu ego de sentimentos possíveis e degustáveis. No silêncio destas teclas e fora da janela, que agora me esquenta, há um rastro de mistério e verdade, que ouso fugir de meu cansado e vagabundo estandarte do pensamento. Quero a feia escondida atrás de um medo e rejeição, a bela colocarei na estante para no entardecer admirar o que não foi e será. Nas mãos de nossas vidas temos duas verdades: o despero e a fuga, ou o que muitos cientistas ilusionistas diziam, realidade e alienação. Quero a chuva no meu corpo nu, abrir os pés para o chão em noite de sereno, doar o que tenho, vender-me aos que precisam, e mastigar o que me foi negado. O cântico do pássaro é mais fino que gravata de maestro no municipal dourado, por um brilho que dá náusea. Quero arroto de bêbado soletrando letras e solfejos tão internos que causa estranhamento. Quem beijou o andarilho em meio ao sol de verão numa rodovia entre tantas? Eu me vou perdido em músicas de auto-falantes saltitando silabas e lógicas. Sei que um dia terei matéria colhida dos vagões dos metrôs e das camas de mulheres tão vendidas quanto a bala da banca suja do japonês, que também vende yakissoba de madrugada na boca suada e morna do metrô. Salve aquilo que o povo se engasga e morre. Quanta coisa entra nos olhos, garganta, estômago? Somos hoje enxurrados e asfixiados de poderes de outros que melindrando entre a arte da política e do patologismo inexplicável do ter, nos tiram a única liberdade: viver. iver, sinonimos de espontanea crueza de respirar, cagar e dormir. Faço o que quero e preciso. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Política:coisa pequena


Política. Palavra inútil, mas que esmaga a vida da gente feito verme no pneu de caminhão. Será que é preciso estudar pra enxergar o que se pinta no cenário das subprefeituras, prefeituras, governo estadual e federal e o escambal? As coisas mais óbvias são as que nos matam, pois o que é evidente passa pela gente feito bactéria, ou vírus no sangue. Se soubessem como agarrar ou fechar a morte, teríamos nas mãos a receita da perenidade. Será que falta olhos ou sanidade? A sociedade vive de uma epidemia do retardamento. Retardamos nossas possibilidades nas vias e tráfegos. Porque buscamos os mesmos lugares e moramos nos mesmos lotes? Doença, misteriosa doença. Quem não sabe que corrupção não é causa de CPI, mas de processo policial? Enquanto um rouba o patrimônio de todos, o outro rouba o tempo de seu público salário, discutindo erros ou crimes alheios, como palco de um show. Política se transformou em mágica e em campo de atuação. Artistas de egos que almejam atingir o poder até em-podrecer-se de dinheiro. Política não é investigação de casos, mas é imaginário do que é coletivo, do bem dos outros. Quem não sabe que tem mais político e assessores do que projetos aprovados, iniciados e, o mais importante, terminados?! E outra questão, quando que as pessoas enlatadas nos metrôs perceberão o crime da ausência e inadimplência de idéias e construções mais humanas, sem correr o perigo do esmagamento e do brutal sufocamento? Não tenho dever de lambuzar-me com o suor do outro, ou o bafo de cigarro de fulano, num quadrado de transporte que é mais cobrado, de modo supervalorizado, do que diretamente é investido, ou seja, dou uma ferrari para o dono destas coisas que chamamos de empresa, para receber o rabisco de um carro feito por uma criança. Não estamos avaliando aqui a dimensão artística e simbólica deste mero exemplo analógico, mas sim, falamos da dignididade e jsutiça da troca, preimissa esta tão necessária na cultura societária. quando falamos de direito a espaço, e ao conforto num espaço como metrô e outros "lugares" putritamente público, isto não é desprezo pelo(s) outro(s), é sentimento de dignidade, todo o ser humano tem a essência do escolher, pois tudo o que é definido ou forçado é crime, por isso, o estrupo é violação inaceitável. O capitalismo é uma penetração de fatos e sistemas que mergulham num consciente de bando. Quero ter conforto, espaço, ar livre. Numa cidade nem sempre há lugar para gente. Toda a matemática urbana consiste em andar, nunca parar Os que param são os trapilhos e bêbados. Os bancos das praças foram feitos para amarrar tênis e as pontes instrumentos para se chegar ao emprego. Tenho vivido nada e pagado muito, eis a equação do que alguns chamam de capitalismo. Socialismo é tensão de gente barbuda e com a bunda suada. Queria tanto um poente sem camiseta e sem idéia que fere feito faca. Política é o que é? É a mágica de esconder as certezas mínimas daquilo que éramos, somos e seríamos.





quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ah! se soubessem.

Quando saberão que não faço poesia, mas nervos
Que não faço sabão, mas o prato principal!

Busquei




Busquei, revirei móveis para saciar-me de um sentido escondido
No céu fumaça ou neblina, nada dizem os astros e os jardins
Busquei algo, mas o barulho dos carros me congestionaram
Saí de mim, fiquei aqui e perdi-me lá mesmo
Sobrou-me livros soltos nos quatros cantos
A noite está quente e afaguei uma lágrima
Lembrei-me do mar, tão longe
Ali passa mais um avião
A tv chora um cantor
No chão os pés
Olhos vi
Suei
Ufa
Ai
a

Passou


Hoje um vento trouxe um leve contorno de pêlos dourados que mergulhavam numa pele refrescada por um maciço suor. Ombro como ponta de uma obra esculpida delicadamente por um gênio expressionista. Imagem única. Fechada num canto da mente e arrebentada nos poros do pé e da nuca. Passou com energia de férias, arrastando olhos e sentidos, saliva de delírio, com salto raso de chinelo e pomba traseira arredondada. Vestido, tecido em segredo e em marginalidade. A sensualidade reside nas beiradas longínquas da existência das gravatas e dos holofotes. O que é singular mora no cenário que não é visto e do enredo não narrado. Uma marca tatuada no tornozelo deslizando como história em quadrinhos de uma vida em bênçãos. Salve a vida, frente ao espetáculo dos lábios desta menina, donzela, coisa e atriz de algum lugar distante, mesmo que more no prédio à frente. A beleza é elemento de agarramento, corpo de penetração, cheiro de tesão, tensão de saudade. A dor do artista é capturar e lembrar o passo que se atravessou dentro de si, como cólica existencial. Nunca respirei um gigante arrepio dentro de mim, que me lançasse às palavras e pincéis devorando imagens e cores ofuscando vorazmente a ausência e o fim-limite. Queria aprisionar aquela imagem, ou bebê-la e depois uriná-la até esvaziá-la de mim, mas a beleza é o vapor e não a lenha, é a subida e não a escada, é o calafrio e não a pele, é o desejo e não o gozo.

Molecagem divina?


Max Ernst – La Vierge corrigeant l’enfant Jésus sous le regard de trois témoins : André Breton, Paul Eluard et le peintre (A virgem espanca o menino Jesus vigiada por 3 testemunhas: André Breton, Paul Eluard e o próprio artista) (1926).

Bela imagem! Quando eu era adolescente um amigo-mestre me falou, claro que parodiarei a minha memória: "É importante tirar do pedestal as imagens que construímos dos outros. Sempre esperamos dos outros atitudes extraordinárias. Transformam-se em mitos - longe do que são e deveriam ser no coletivo rotineiro. Esta atitude pedagógica torna-nos pessoas coladas e impregnadas com as possibilidades e causas reais dos fatos e fenõmenos da existência. Com isto, nos emponderamos do conceito-prático de transformação".

Nada é o que imaginamos, tudo se faz na simplicidade e na lógica óbvia de um absurdo, que instimos em desprezá-lo e deletá-lo de nosso chão da razão. Jesus é divino pela sua humanidade e não o contrário! O resto é masturbação de conciência alienada.

Imagem perfeita - confundo-me com a visão deste pintor.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

III Clube da Luta: proletariado milionário


Uma geração inteira que trabalha “em empregos que odeia para comprar coisas que não precisa”(clube da luta - só pra não perder o costume), decepcionada com suas próprias jornadas e acomodada a tal ponto de nada mais sentirem. São pessoas que sobrevivem ao invés de viver e que há muito já aceitaram que não alcançarão seus sonhos de infância e não verão realizadas as promessas que um dia lhe foram feitas. Como conseqüência, vivem uma vida anestesiada, onde cada novo dia é um verdadeiro sacrifício. Uma geração que encontra dificuldades em sentir-se viva.

II Clube da Luta: nas nossas procuras, nos perdemos!



“As coisas que você possui acabam possuindo você”.
(...)

“Só depois de perder tudo é que você será livre para fazer o que quiser”.

I Clube da luta: geração sem punhos




"Somos uma geração sem uma Grande Guerra. Uma geração sem uma Grande Depressão. Nossa guerra é espiritual. E nossa depressão são nossas vidas".

frase intepretada por Brad Pitt em Clube da Luta, de David Fincher.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Vácuo...




A procura do vácuo.

Há palavras, compromissos e deveres. No abismo entre estas possibilidades, que se tornou em ordem necessária para a sobrevivência, arquiteta-se o necessário mundo do não - fazer, do contemplar e do pensar. Nele nos refazemos e compreendemos a morte como certeza de nossa máxima possibilidade.

Tenho inveja dos bichos mais insignificantes que procuram um mato sem importância, vivem nele como universo paralelo, ao mesmo tempo central, pois profundo. Respiram o mistério simples e autêntico e desvendam a sabedoria.

Quero tempo para ler, criticar e esvaziar-me das palavras, dos afazeres bestiais, dormir nas horas e brincar com a terra e os galhos. Quero inventar certezas e esquecer os dogmas. Quero não precisar acreditar em autores, patrões e políticas. Quero viver sem dinheiro, mas com um pé de limoeiro e banana. Quero ser índio sem documentário, mulher sem marido, homem sem moda.

Onde reside esta possibilidade? Na indigência ou na loucura? Chutar o balde e o pau da barraca é uma coisa, agora vomitar este mundo?! Morrerei, enfartarei, ou serei excluído? A exclusão é um mal de isolamento de oportunidades, que pode causar a morte.

Quem sabe o primeiro passo para o método para esta sanidade seja fugir... não sei procuro uma saída, que não tem portas e nem tramelas, apenas um caminho a ser percorrido, sem placa e nem destino apenas a coragem de caminhar, seja com sandália ou de pés no chão.

A cada amanhecer sinto meus poros nevrálgicos hipnotizados por esta convocação.

História inexistente


Nunca na história existiu uma revolução de filósofos ou teólogos, ou poetas. Tudo que se moveu de forma catastrófica e ou construtiva, por mais que seja impossível separar estes dois elementos, ambos estão implícitos no outro. Como diz Saramago: “O Caos é a ordem a ser descoberta!”
A Igreja se meteu na história não pelas palavras de Agostinho ou Tomás de Aquino, mas foi pelas engenharias de guerra e da inquisição de homens banhados pelas técnicas. A Igreja Católica foi levantada pelo conhecimento das artes e não pela experiência eterizada de “Deus”. Os argumentos sobre deus não moveram um estado, uma nação e uma comunidade.
A técnica prevalece ao raciocínio frenético de muitas pessoas. Hoje, parado diante do espelho da cama, perguntei-me: O que sei? Como posso mover este mundo de civilidades, para um rumo que imagino? Posso manobrar pessoas, estruturas, mas eu mesmo poderei mover algo sozinho? Fui criado em livros de fenomelogistas, de tratados de céticos, e de hinos de crentes. O que isto me torna mais imprenscidível para a história de desenvolvimento?

Não falo aqui de tecnologias, falo do progresso do espírito, que se equaciona no coletivo. Descobri que das mãos de um filosofo não existe arma e nem arado, apenas uma caneta indefesa, sem o ato de tocar a realidade. De palavras temos várias, sem eco, sem cor, sem cheiro, sem motivo, sem ponta e nem nervo. Quero a técnica que move a revolução, por mais que ela seja inútil, como todas as outras. Sair das reuniões e misturar-me ao mar de complexidades de uma realidade qualquer, da rua às mansões. E assim, quem sabe criar uma técnica para além das tecnologias políticas, morais, jurídicas, engenharias... Etc. quero a certeza de uma técnica que me traga a esperança de existir e da história. Quero ser trabalhador da história e de uma vida, que geme de mudança, não delas, mas daqueles que são vivos por idéias, assim chamados racionais: ser humano.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Morte e Vida Natalina



Mais um momento chega até os nossos olhos e agendas. Momento de viajar e gastar o corpo em ônibus, carros, enfim, em estradas e rumos. O mais interessante, nesta experiência de vai e vem, é que concluímos que o nosso verdadeiro e histórico lugar de apoio, origem e memória nunca é onde estamos (isto se evidencia na maioria das pessoas).

Estamos sempre fora de nosso início, daquilo que esperamos “visitar”, ou melhor, revisitar. Visitar a família ou a nossa casa de origem é uma maneira que encontramos, pedagogicamente, de nos tatearmos e nos acariciarmos. Já peguei tantos metrôs, aviões, destinos diversos, mas nenhum tem a lógica desta “viagem” de final de ano, um fenômeno que invade internamente feito enchente.

“Natal”, já falei tanto disso em artigos, palestras, textos e poesias, sempre tentando desvencilhar hábitos coletivizados, com uma pitada de criticidade frente ao valor singular desta época, porém, hoje aqui, diante destas palavras, calo como mãe diante de um leito do filho enfermo por uma doença misteriosa. Não sei o que dizer, não sei o que imaginar, apenas embalo-me no acontecimento, com um sentimento de cansaço. Tantas coisas fizemos, lutamos, brigamos, conseguimos, frustramo-nos, acreditamos, amamos e deletamos de nossas listas de prioridade neste período de 360 dias. O cenário da vida se equaciona num calendário? Não sei, pois estamos sempre muito ocupados para nisso pensar.

Sempre tive a imagem do natal como um grande enterro. Enterro de nossas vaidades – aquilo que tentamos sobrepor ao outro. Enterro de agendas e cronogramas, para que dali eu possa presenciar o broto autêntico da vida, sem jóias e relógios, apenas nua, medida sem vergonha, descaso de mentiras e domesticações. Enterro do que não vi, não degustei, não tateei e não cheirei. O natal para mim é ressurreição do eu mais primário, mas existente, escondido, fragilizado, anêmico, marginalizado, excluído, banido, subnutrido, esquecido.

Hoje galga em mim uma vontade de dormir na estrada, a caminho de algo que não encontrei e nem encontrarei. Quero fugir das luzes e buscar a escuridão da noite de natal. Talvez lá eu possa me encontrar, perdido num ventre de rotina que hoje se resume num plano universo (um só verso), por isso, bebida e comida, um estado de sobrevivência fatal e corriqueira.

Talvez o que chamam de "noite iluminada", seja no fundo o brilho que buscamos no silêncio contemplativo da escuridão, que é sinônimo de não-aparência, não-horizonte, apenas percepção de respeito e espreiteza. Neste sentimento iluminamos a nós mesmos, nossos eixos e centros, tão debirutados pelas gigantescas demandas e estratégias sociais, profissionais, políticas, culturais e comportamentais em que nos deixamos reger diariamente.

A ética de nosso coração está no estômago de nossa faina histórica.

Neste ano vi tanta gente falar, planejar e contar carros, apartamentos, e-mails, maridos. Outros vi enlouquecer, dormir, enfartar, casar, fugir e romper com patrões e família. Natal é motivo de memória, é o parto do novo!

Esta memória faz-me voltar para a minha imagem. Confesso que envelheci, tenho fios brancos em minha barba, barba esta de tantos comentários e deslogios (falta de cuidado, assim dizem!), meu corpo a mangedoura das minhas angústias, medos, esperanças e projetos. Hoje me identifico com Jesus no horto e não aquela imagem do presépio: vivo, como folha verde na primavera. Talvez esta confusão de imagens e cenários, entrando num complexo quase que ilegível, seja o resultado da tão falada experiência religiosa -  confundir imagens, rostos, anos e etapas. Hoje não sei se sou Filho envelhecido ou tornei-me Pai, terceira pessoa da trindade. Mas com inspiração nas cicatrrizes que carrego, descrevo balbuciando ao vento: quero ser Espírito para voar deste chão, quero vitalidade para percorrer desertos e jejuns, ou então, quero ser menino aquecido pelo bafo simples e real de um burro. Sem medo de bactérias, de compromissos, de nojeiras, de absurdos, de idiotice, maluquice. Quero ser/estar entre o sono do sonho e o sonho do sono, aqueles de minha infância que eram levemente encerrados ao som profético e familiar de um passarinho a mergulhar no orvalho da manhã. Na cozinha nasce o cheiro do café e o som dos passos de minha vó, preparando o caixote de lenhas, frescas para o sacrifico do almoço. Doce abandono, curta viagem, enorme distância, parida memória.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Direito de ser!


Na cidade de São Paulo ou no interior de Pernambuco descobri a força impulsiva do direito. Andando pelas ruas vejo o direito da limpeza antes do consumir, do silêncio antes do automóvel, do vázio, antes do lotado, da solidão antes dos alto falantes. No dia em que o ser humano se pensar como centro de suas ações tudo o resto florescerá na dignidade do existir. A opressão das coisas inventadas e entulhadas pelo estomago do poder vai martirizando, moendo, amassando, pisando aquilo que somos. Não falo de um antropocentrismo moderno, mas de arrumar a casa da sociedade. Sabendo de nossa centralidade, centralizamos as outras coisas, pois hoje a grande bagunça universal é causada pela descentralidade harmônica do ser-humano. Cansei de ser atravessado pelo acúmulo de ordens do dinheiro, quero morrer pobre, mas antes dormir tranquilo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

VONTADE.


Ontem, numa conversa solta e típica de um tira a gosto do almoço dominical e familiar, o meu tio, ao longo de seus anos de estrada da vida, me fez a seguinte questão: “O que falta para o povo sair da miséria?” Abruptamente me lancei a responder que, “Isto é um fenômeno que extrapolava a falta de oportunidade de um emprego ou alguma ocupação rentável. É um problema de políticas públicas etc”. Nesta natural e óbvia resposta fui logo flagrado com outra dúvida estomacal lá do âmago, de meu herdado parente: “Não adianta dar emprego a esta gente, pois eles vão querer outras e outras coisas mais. Tenho experiências concretas disso. Nunca se sacia a necessidade de um pobre”. ‘Pobre!’ Conceito tão usado na boca de tantas gentes e dentistas e eu, neste mar de pensamentos, me sentindo pobre de palavras e de idéias conclusivas e sintéticas. A questão social é uma situação de “idéias”, ou seja, um governo se baseia sempre num imaginário de poder, intervenções ou outras coisas relacionadas no campo do mando e interesse (seja qual for). Mas esta sessão, para não falar em fuzilamento, de questões, tão simplórias para os tratados sociais e políticos acadêmicos e oficiais, me fez enminhocar por muito tempo algumas reflexões que cabe estreitamente aqui. O que falta para uma pessoa e/ou realidade empobrecida?! Dinheiro? Oportunidade? Formação? Assistência?

Incrivelmente algo apareceu no meu entendimento, como andorinha no fim de uma tarde ensolarda, depois tormenta, chamada de VONTADE. Esta palavra não significa aquilo que imaginamos enquanto, vontade voluntária, ou melhor, voluntarista. Mas sim, a Vontade é motor de anseios, desejos, construtora de cenários imaginários que lança-nos a projetos, atos e sentimentos. A vontade é o que move o estagnado, dá caminho para os pés, coração parao orgão, idéias para a cabeça e olhares para os olhos. A grande falência e morte da pobreza não está no dinheiro ou num afazer mecânico intitulado de 'trabalho', mas numa característica intrigante que chamamos de Vontade. Somos parte de um conjunto de realidades invisíveis que são mais concretas e maiores que a muralha da China. Nos fazemos em base a nossa vontade: sonhamos, esperamos, anseamos, sofremos, inquietamo-nos, desesperamos, projetamos, fazemos, desfazemos, construimos, desconstruimos...somos uma vontade que nos lança, move e nos faz! Como dar Vontade a um ser-humano? É possível doar sonhos, desejos, projetos para uma pessoa? Como dar vida aos mortos? Eis a questão social, um probelma plenalmente existencial, antes de antropológico e sociológico, ele é um aborto fenomenológico. O probelma ultrapssa sempre a sua aparência, por isso, é um complexo. Minha mão pesa nestas teclas, cansei de digitar enjoei-me com esta reflexão. Será isto um sintoma de minha incerteza e triteza, frente aquilo que ninguém quer pensar e se deixar questionar? A pobreza e desiguladade é produto de um outro corpo, sem anus e estômago, mas existente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Envelhecer





(Compositor(es): Arnaldo Antunes; Ortinho; Marcelo Jeneci)

a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer


eu quero que o tapete voe
no meio da sala de estar
eu quero que a panela de pressão pressione
e que a pia comece a pingar


eu quero que a sirene soe
e me faça levantar do sofá
eu quero por Rita Pavone
no ringtone do meu celular


eu quero estar no meio do ciclone
pra poder aproveitar
e quando eu esquecer meu próprio nome
que me chamem de velho gagá

pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé
com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não pára de crescer
não sei porque essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr
não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer


eu quero que o tapete voe...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

FAMÍLIA...


Família é aquilo que se atravessa na vida para se fazer história de intrigas, fotos, comidas, cadela morta, estante de coisas, cozinha entulhada, cama de aromas e odores, aniversários, mochilas, malas, bolo, pão seco, misturas e musses, conversas, doces, amargos  e outras coisas que se fazem sempre num outro, que se estica na memória dos olhos, do amanhacer ao anoitecer, enfim, um "bom dia" e uma "boa noite"!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Antes de Cristo


O ufanismo do passado. O hoje é sempre menor do que foi e do que será, pois ele é resultado de uma realidade e não de uma mera e divagadora imaginação. Nem nossos avós consegueriam viver em nossas ditaduras, os nossos filhos são fortes em acreditar que hoje eles são fracos, débeis e imaturos. Este é o julgo projetável dos adultos (=gente que se imagina) frente aquilo que denominamos de infância (= sem voz).

Vigiai!



Sempre os trocadilhos para nos meter em confusão com nossas calmas e bronzeadas certezas sempre de férias.

Claríssimo


Se acredito em vida extraterrestre? Já está tão dificíl de acreditar na vida...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

HETERONOMIA


Você me surpreende em mim
aleijado com clarim
perfuma aridez e umidade
sem fadiga idade
amacia a dureza
dignidade de realeza
colore o desenho
cenário risonho
Artista sem tinta e som
do silêncio o tom
pastora do outro
da florestra és troco
Na voz do eu
minha anima te leu
declamou o nós
multidão e sós
pessoas em conjugação
palavra e ação
Amor é amizade de tarados
Soleira de confortos
eira e beira
Mulher e mineira
pele e coiceira
tubo de respiração
orgão do coração
roda gigante
algodão doce da mente
Lua plantada ao meio-dia
centro da periferia
Candenlário de inverno
àspero e terno
Água de verão
mudez e sermão
Manhã de minhas noites
Idiotices em odes

No altar de uma cama
filhos uma trama
Dedos de prosa
o prazer goza
Confusão de medos
labirinto de nervos
Brigas e contas
céu sem cotas
na estante filmes polidos
Romances e documentários
No armário roupas cheirosas
estendemos tardes gulosas
no varal toalha molhada
poesia é saudade penteada
Somos ersonagens sem script
tratado e relise
na lápide do passado acenos 
escada pra acerto temos

Na raiz do ontem o conserto
longe e perto
na construção suor
saliva e odor
na imaginação tudo
pé esquerdo sortudo
na mesa invenção
diálogo de redenção
Um dia, uma palavra
juventude nossa catedra
cada gota de telefone
projeto e codinome
miúdos toques
desejo em lotes 
Amor não é paixão
Emoção sim de uma razão
Se faz no calar de um falar
soprar e abraçar
machucado com remédios
olhos e cílios
reconhecer do outro
nem prata dem ouro

O que se detesta e se chama
há sempre um tema
cozinha e sofá
a esperañça é sempre um lá
A distância é caminho
não é separação, mas destino
O remédio é o confiar
destino é imaginar
amanhã é resumo do agora  
o depois afora
Juiza e ladrona
És Poltrona

Pobre segurança


Uma dolce poesia em imagem para a inteligente e sensível polícia do Rio de Janeiro, em especial, ao BOPE! (e que sirva como chapéu para todo tipo de segurança de Estado!!!)

Sem controle



Nossas crianças já nascem gente de outros
Quem daria alma àquilo que não nasceu?
Ser pessimista ou sonhador das frustrações?
Quem dará um antídoto a esta situação?
Não quero controle, quero invasão
Não serei marionete, mas urubu
No gelo serei fogo
Na sombra, sol
Na lágrima, riso
Tudo serei
Menos outro

Ah! se os desenhos fossem reais II


Nas páginas coloridas e nos enredos perdidos da elocubração de um gênio da imaginação. Ele revela no poder da expressão de fazer acreditar que, tudo é cômico, gracioso, como criança em noite de festa, mas na realidade, portanto, todo ser pintado, é um feio sem graça. A imaginação aliena imagem sem tempo e sentimento vulneráveis e instáveis. Desmistificar, é colocar as coisas no seu devido lugar, é dar valor a decadência, simplicidade, banalidade e esquisitice recheio da existência. A vida é trivial, mas magnífica pela generosidade do existir. Isto basta! Nem mais e nem menos, apenas o essencial.

Ah! se os desenhos fossem reais I


Nem espinafre refaz espírito e células! Será uma profanação, ou descrição da máxima decência da existência??? Rááá.

Relógio da vida


Este simples ciclo de um fazer a outro, nos limita e delimita numa brincadeira inconsciente, por isso, ditadora e assassina. Neste movimento natural cada segundo é o resultado de menos uma célula de possibilidade. Pare o relógio e saia do ciclo donde estás. A vida acontece na florestra do absurdo, montanha do ócio e na vagabundagem do ser. Relógio são para torres e catedrais. Nós precisamos é de pulso e de magia estranha, subversiva e transgressora, acordada como um aninal sem agenda.

Morreram, e daí?!


Às vezes é necessário fazer uma lógica contrária, ou melhor, inversa ao bom senso. Eis a notícia: "2 policiais são mortos no Rio de Janeiro por traficantes!" Nossa, que absurdo isto. Absurdo? Qual é o ponto de vista de onde parte esta exclamação? Qual ângulo desta história que miramos, focamos e nos escandalizamos? Será sobre o fato da morte nela mesma, ou seja, por 'alguém' ter morrido? Ou será a aparência do instrumento e a causa desta morte? Isto nos causa que tipo de sentimento: medo, insegurança ou pena? Ou um estado solene, bem elaborado e crítico de repugnância por este fenômeno? Ou será apenas uma consideração e comentário social do fato? Rio e o Rio ri de mim. Eu do meu sofá, num dia "normal" qualquer, fiquei intrigado, solitariamente, com um detalhe, que pra mim é essencial no desfeche e conclusão do ocorrido, deste quadro que se repete milhares e múltiplas vezes em nossa obra sociedade. A questão é simples: "Violência gera violência!", será isto um modismo simplista de idealistas?! Ou uma lógica esquecida na interpretação dos fatos vomitados pela realidade cansada, estrupada e cheia, transbordando de convulsões e contradições de fenômenos conflitantes? Pois assim como o estômago lança para fora aquilo que criou confusão no seu campo, assim é a violência para o cenário social, uma reação natural e necessária. O que se evita se explode. ISto tanto no limiar da psicologia subjetiva como na social. Não quero criar polêmica, mas justiça com o pensamento, por isso, afirmo publicamente aqui: Eu legitimo a morte destes policiais. Escândalo? Vulgarização? Partidarismo marginalizado? Descriminalização? Ridicularização? Não. Pois nós sempre legitimamos a existência de armas, como estratégia de força e enfrentamento de situações que a nossa epidérmica inteligência não sabe ler, lidar e concluir... Legitimamos aquilo que condenamos tautologicamente sem razão. A polícia é a força do Estado, e os traficantes/ "bandidos" (como são chamados) são meramente a força da milícia, uma outra forma de governar. Tudo que se agrupa tem um poder, não pela quantidade, mas pela idéia movedora que é criada como cola e comida para um coletivo. Agrupar-se é militar-se, é impor-se a inconsciência do circo da história. Porém, nestes dois exemplos, do Estado e dos Crimonosos, ambos estão baseados na liberdade de associação, os problemas gerados não estão neles em si, mas são só instrumentos, meios anexos  e ofertados pela nossa justificativa natural para o armamento. Armar-se é preciso, o contrário seria uma falácia. Eis uma afirmação impossibilitada de não-existir. Quando firmamos esta prerrogativa, anulamos outras possibilidades, pois resumimos tudo num objeto-gesto. A arma é sinônimo de morte, não existe outro princípio. Ué, mas não falamos de segurança, proteção do bem para a sociedade? Eis a contradição, é como se estivéssemos falando de cura e ao mesmo tempo implantando tumores no corpo enfermo. Não sabemos lidar com a possibilidade do diálogo e de estratégias capazes de construir mudanças processuais, históricas e habituais, em que o tempo é parceiro e companheiro desta iniciativa. Hoje temos uma grande massa despolitizada e irracional, movida pela lógica do caminho mais curto, porém, nestes caminhos sugestionados pela massa, e manuseada por uma minoria que lucra, os pés são amputados tanto de quem compra, de quem vende, de quem usa e de que se avizinha desta situação. Um verdadeiro símbolo disso são os terrenos minados até hoje da Angola e outros países. Uma verdadeira anomalia a terra enxertada pela ignorância artificial do ser humano. Aquela que é mãe de todos, serve de tapete para mortes e amputações. Do pó nascestes e de uma mina te matarei! O ser humano é o único que sufioca e invade a identidade dos outros. Conquistar é o seu sentido maior, que está acima da vida e da morte, por que é meio em si mesmo, por isso, patológico e alienado. Porém existirá um ser humano capaz de transcender a fatalidade da violência bélica que assola os quatro cantos e o centro do planeta terra? A mesma arma que constrói a histór,ia de sangue em muitas regiões da África, é a que está nas nossas centrais públicas e legitimadas de "segurança" em Resende ou em São José dos Campos. Enquanto existir este processo de naturalização e criminalização não dos meios e instrumentos, mas sim, das pessoas, eu assisto e assistirei a este jogo de barbárie, não chorando ou vigiando por ninguém, mas como expectador de um jogo, fico na ânsia de que alguém desista de jogar. Esta é minha inversa razão aos fatos que consomem os comentários pulpitados na sociedade, sempre televisiva e espetacular. Nossas opiniões são virtuais, a realidade é outra coisa, às vezes mais complexas, porque tem um toque de simplicidade e nada de sensacionalismo. O sensasionalismo é fabricado pela magia das palvras e imagens nelas mesmas, é uma criação imaginativa, não investigativa e reflexiva. Na realidade, para a morte, não existe nome, codinome, cargo ou função, polícia e rebelde, fazem parte de um mesmo homicídio e tragédia. Ambos vítimas de sua prórpia capacidade de acreditar num elemento cultural e alienador. Quem mata e quem morre? A morte iguala a todos na tragédia com base intrínseca a um terceiro elemento causador: a ARMA. Os policiais morreram, e daí? A mesma mão que mata, mata-se.

sábado, 17 de outubro de 2009

CASA



A casa é onde nós estamos. Rua,  Abrigo,  Mansão,  Casebre? Não é um lugar, mas um modo de estar. É um estado de relação invisível ou visível, depende de quem vê!

Morre-SE



"Guardemo-nos de dizer que a morte se opõe à vida. O que está vivo é apenas uma variedade daquilo que está morto, e uma variedade bastante rara". (Nietzche. Gaia Ciência. livro III. 109)
Duas coisas estranhas, feitas sempre em palavras e sermões na boca dos reféns de si mesmos: Amor e Morte. Duas verdades, mentidas pelo acreditar. Certa vez interroguei-me e deixei-me em questão...qual será a matemática da morte? Como pintá-la longe das certezas e códigos já descobertos e repetidos inúmeras vezes nas escolas, praças, igrejas, livros e bilhetes de suicídas? Nesta interrogação que foi emergida num cemitério sem cruz e nem velas, mergulhado no interior de um estado do sul, apenas com pedras e gramas, como um cenário inca. Vi a minha frente, celebrado por um tapete verde de grama bem cortada, uma azaléia, toda florida, cheia de cores e contornos, e ao seu pé um solene, e ao mesmo tempo anônimo, velório de pétalas defuntas. Imagem hermenêutica, uma mistura de vida e morte, ambas pintadas dentro da mesma moldura. Diversos ângulos e detalhes de um mar de olhares, registraram uma história a ser contada e, com toda modéstia, aqui publicada.  Imagem evidente: Galhos revestidos de folhas, no auge de seu verde, e flores brincando de vida num balé revestido de vento. Porém, uma segunda característica captada desta planta, como fenômeno profético, relembrando a sarsa ardente dos antigos escritos, porém, sem exagero de uma imaginação ufanista, revelava expelicitamente folhas e flores murchas, enrrugando-se na fraqueza de uma virilidade minguante. No entanto, escrever mais um detalhe se faz necessário, outras flores e folhas caíam espontaneamente, sem voz e emoção, murchas, acabadas e escuras, na terra, ventre arquétipo da solidariedade infindável da existência... Com este olhar anatômico, como criança em noite de lua-cheia, infiltrei-me na atenção e recordei-me que este processo, enxergado neste instante de pensamento e percepção, é contínuo, natural pela espontânea e livre lógica do existir. A eloquência desta planta, tantas vezes irrigada pela chuva matutina e noturna, descodificava ali uma verdade, muitas folhas e flores já brotaram, desabrocharam, murcharam e despencaram, caídas confiantemente, desapareceram no processo secreto da terra: transformaram-se na somatória e biodiversidade - infinitas relações - de um conteúdo chamado de "adubo". Tudo o que some, desaparece, de sua forma originária, torna-se em vida múltipla de outras coisas. A vida é isto um elo de relações mutáveis, um jogo de descobertas e possibilidades. A Morte é a falta de ajustar o ocular de nossas certezas e saberes. Assim, caiu-me uma reflexão sobre a vida e a morte: um ciclo de aparências e momentos, porém, ambas fazem parte do mesmo terreno, ciclo, impulso, vitalidade, tempo e aparência, mesmo que em cheiros, contornos e cores diferentes. E o amor? Isto é uma outra história.

Inveja do Artista




O artista é por excelência o trabalhador do belo. E toda beleza consiste de uma pretensão inútil, mas necesária. Antagônica como o ar e pulmão. Sem troca e preço, mas imprescindível na relação. A pessoa que se apresenta no cenário da arte gasta tempo e dinheiro na forma do que vê e sente. Debruça-se nas horas desprendido pelo mergulhar em si e nas coisas que o rodeia, e a engendrada mágica de refazer aquilo que lhe escapa, como amorte some das mãos dos que velam. Contrário aos operários do fazer, ele se afunda, entra e se molha nos detalhes perdidos e achados na consumação da contemplação. Faz-se melhor e profundo a cada dia. A cina do escravo do dinheiro e da técnica metrifica e vomita coisas pra fora. Constrói prédios e cadernos, mas não sabe a leveza do contorno da existência e do que ela arrecada em seu sumiço metodológico. Dá-me um palco e um casebre na montanha, refazendo-me no orvalho e no jantar improvisado. Quem se dedica a arte, se dedica num castelo sem pedras e portas, mas moldurado no templo de um ermo que é o próprio pé e peito de quem concentra a realidade por segundos, mas infinitos sentidos. Sentimento da alma e caminho da razão, talvez seja um enunciado da arte. No barulho de um computador o menino engole-se numa tela branca e colorida por imagens postadas por outros. Quem mostrará a delícia e saudade de um lugar amontoado na selva? Quero floresta e luz de arte, para sobreviver com mais dignidade e razão. Quero ser um humano mais atento, mais malandro, malicioso e filósofo daquilo que se perdeu e se consumiu na gula da rotina.Meus dedos não tocam música, por que cansei delas, minha rima quebrou no absurdo do tempo e do que hoje sou. A te´cnica não acompnha o crescimento da existência. Esta é a dor de quem sabe e a fome de quem já comeu e sente desejo de algo que não se encontra mais. Arte saudade do que sou, seria e serei.

domingo, 27 de setembro de 2009

Alteridade II


A partir de uma imagem montada e confeccionada pela crença se metrifica uma condição perfeita para se projetar aquilo que se escapa da própria responsabilidade. Ninguém mais "integral", Justo, PERFEITO que "Deus", pois a imagem de "Deus" não tem medida de experiência e realidade, só pode ser decadente aquele, ou melhor, aquilo que tem corpo. Faz parte da existência diversos ângulos e o olhar parcial, portanto, contraditório. Quanto desejo e anseio pelo belo e pelo que é perfeito. A religião transforma o fraco em forte, o ignorante em sábio, o pobre em rico. Tudo o que é utópico é ignorado pela grandeza do limite da rotina e realidade. Como se inventa em nós esta mania de procurar por algo que não seja aquilo que somos e deveríamos ser? Somos procura, não somos poça de chuva, mas somos corrego de vida. Faz parte o movimento. O problema está que erramos na imaginação, ao necessitar uma imagem estática, que não fala e nem se expressa, a não ser o eco de nós mesmo daquilo que esperamos e queremos que seja falado. Esquecemos que a trasncendência está naquilo que nos alienamos, nas profundezas das diversos meios de comunicação, e nos castelos das nossas fanstamagóricas realções patológicas. Nos fazemos na possibilidade do rídiculo, do ultrapassado, do profano, do limite, do corpóreo. O resto é projeção e fuga da real e da mais digna condição.

sábado, 26 de setembro de 2009

Alteridade I


Hoje vivemos dentro de um mecanismo uterino-verbal, ou seja, um elo de razões faladas dentro de razões internas imaginadas. Nada pra fora, tudo pelo outro, que engendra a nossa fala e imaginação. Vivemos como garganta que tenta se engolir. No trabalho se fala do outro, da vizinha e da concorrente. Na Igreja o padre cochicha com o coroinha e a sacristã, sobre a massa de fiéis e principalmente dos infiéis. É o vício mais em voga que parece ser da natureza, aprori. Fala-se do outro, fala-se das putas, das brigas dos casais, da menina retardada, do garoto garanhão, da mulher chata, do homem mentiroso. Adora-se categorias, como fantasia de escola de samba, quanto mais colorida e exótica, mais atiça e envolve a existência da passarela. Cola-se em todos outdoors de comentários, que se transforma em realidade maior do que a carne e pele do individuo falado. Num mundo de anatomia e psicologias, não se descobri a fórmula pequena, mas monstruosa do falar esquizofrênico do cotidiano. O que equaciona na vontade do ser humano de viver para fatos e coisas tão estreitas e óbvias de suas hipóteses? No cinema se procura um inimigo. Na rotina a diarista constrói um mostro de sua patroa e vice-versa. Assim a epidemia da fofoca e dos comentários sobrenaturais, literalmente, vai se fazendo. Falar de coisas é o modo como as pessoas tentam se perder para não se acharem nas coisas mais imprescindíveis. Tudo o que é essencial dói pra razão. Ninguém quer pensar nas dores de estomago de crianças da áfrica, nem dó na garganta da menina estrupada, muito menos do rico empobrecido por sentido: um suicida. Pensar na vida pra além da verborragia imaginária dos submundos e universos de nossa rotina funcional é fazer-se na alteridade saudável. Somos mais que a soma de mediocridades de imagens soltas e roubadas das coisas e de fatos alucinógenos para a percepção. Porque falar do namorado da secretária, enquanto aprova-se uma lei que mata milhões hoje e amanhã. Política, fome, miséria, corrupção, dinheiro em excesso, saúde em falta, elefante de circo velho, palhaço sem graça, maratona de pivete, caos no funk, cirurgia no cérebro. Deveríamos nos fazer a cada dia, minuto e segundo, como um ato de meditação budista, ou de encarnação espírita, na alteridade e não na fala rasa, grudenta, habituosa e libidinosa da mediocridade que rasteja no impulso mais primitiva, que visualiza o outro e as coisas, mas sem o odor e substância real e caótica própria de uma vida e realidade. Somos alteridade, sem isto vagamos no mundo das idéias de um conto parido pela língua. Nada mais e nem menos. A saliva é o sêmen da ignorância.